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Nota fiscal confirma que doleiro pagou R$ 250 mil em Range Rover para ex-diretor da Petrobrás

Lilian Venturini

08 abril 2014 | 08:42

Compra ocorreu em 15 de maio de 2013; PF juntou fatura nos autos da Operação Lava Jato

por Fausto Macedo

No relatório da Operação Lava Jato – investigação sobre lavagem de R$ 10 bilhões – a Polícia Federal juntou cópia da nota fiscal (veja abaixo) da Range Rover Evoque que o doleiro Alberto Yousseff deu de presente para o engenheiro mecânico Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás.

A compra ocorreu no dia 15 de maio de 2013 pelo valor de R$ 250 mil. A nota fiscal foi faturada em nome de Paulo Roberto Costa.

Yousseff é o alvo principal da Lava Jato. A PF suspeita que ele e Costa se associaram para fins ilícitos em negócios da Petrobrás. Os dois estão presos.

“Destaque-se que Paulo Roberto Costa é o mesmo em nome do qual foi emitida a nota fiscal da Range Rover Evoque, adquirida por Alberto Yousseff”, assinala a PF, à página 68 do relatório em que pediu ordem judicial para confiscar o veículo. “Questiona-se aqui por qual motivo Alberto Youssef teria adquirido o veículo, no valor de quase trezentos mil reais, para Paulo Roberto Costa.”

A PF anexou aos autos cópia da nota fiscal. Abaixo da nota, um texto de 12 linhas em que a PF mostra toda a trajetória profissional do ex-diretor da Petrobrás.

A PF também interceptou e-mail em 2 de dezembro de 2012 que revela outra despesa de Paulo Roberto Costa paga por Youssef – passagens de ida e volta trecho Santos Dumont/Congonhas e diárias no Hotel Tívoli Moffarej, na Alameda Santos, em São Paulo.

O gasto total com o deslocamento e hospedagem do ex-diretor da Petrobrás chegou a R$ 2.799,89, conforme cobrança da Marsans agência de turismo endereçada a Youssef. “Prezado sr. Alberto. Boa tarde! O valor total para depósito é R$ 2.799,89. Estamos à disposição para qualquer esclarecimento. Atenciosamente”, escreveu a consultora da Marsans Coporate.

O advogado Fernando Fernandes, que defende Paulo Roberto Costa, afirma que o executivo não praticou nenhum ato ilícito. O advogado tenta derrubar o decreto de prisão contra o ex-diretor da Petrobrás por meio de pedidos de habeas corpus, nos quais alega inocência de seu cliente.

A defesa de Yousseff não foi localizada.

Abaixo, a nota fiscal da Range Rover e o comprovante da viagem do ex-diretor da Petrobrás a São Paulo: