“Nosso ponto focal de apoio tem que ser o ex-presidente Lula”

“Nosso ponto focal de apoio tem que ser o ex-presidente Lula”

E-mails de executivos da cúpula da Andrade Gutierrez revelam que grupo buscou apoio do petista para intervir em negócios na Venezuela; Instituto Lula afirma que o ex-presidente "não faz e nunca fez lobby ou consultoria"

Ricardo Brandt, Mateus Coutinho, Julia Affonso e Fausto Macedo

02 Outubro 2015 | 15h45

Lula. Foto: AP

Lula. Foto: AP

E-mails de executivos da cúpula da Andrade Gutierrez, apreendidos na sede da empresa, agora juntados aos autos da Operação Lava Jato, revelam que o grupo buscou apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para intervir em negócios na Venezuela.

Às 12h13 do dia 20 de março de 2014, Sérgio Lins Andrade, dono da Andrade Gutierrez, escreveu para Otávio Marques de Azevedo, presidente da companhia, e a outros executivos da AG. “Isto pode complicar a situação dos contratos lá. Abs”, referindo-se a uma reportagem de jornal que indicava disposição da presidente Dilma Rousseff (PT) em se ‘distanciar’ da Venezuela.

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Em resposta, ao e-mail de Sérgio Andrade, o executivo Flávio Gomes Machado Filho escreveu às 12h24, citando o presidente da Venezuela Nicolás Maduro. “Temos que tomar todos os cuidados. O Presidente Maduro já está incomodado com essa postura dela há algum tempo. O nosso ponto focal de apoio tem que ser o ex-Presidente Lula. O Pres Maduro reconhece como um grande amigo pessoal e um grande amigo da Venezuela.”

Quatro minutos depois, Flávio Gomes Machado Filho acrescentou. “Estou marcando um encontro com o Pres Lula na próxima semana em SP para discutir com ele a situação da Venezuela e uma estratégia de apoio. Abs, Flavio.”

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Segundo Otávio Marques de Azevedo, em depoimento à Polícia Federal, em 19 de maio deste ano, Flávio Gomes Machado Filho foi diretor de Relações Institucionais da Andrade Gutierrez entre 2004 a 2012.

O presidente do grupo, Otávio Marques de Azevedo, está preso desde 19 de junho, quando foi deflagrada a Operação Erga Omnes, 14ª etapa da Lava Jato.

COM A PALAVRA, O INSTITUTO LULA

O ex-presidente Lula sempre atuou legitimamente em defesa do Brasil e das empresas brasileiras nos mercados internacionais, e continuará exercendo esse papel, sempre que possível, como fazem ex-governantes responsáveis de diversos países. O ex-presidente não faz e nunca fez lobby ou consultoria. A lista das empresas que contrataram palestras do ex-presidente, por meio da empresa LILS, está publicada pelo Instituto Lula neste endereço: http://www.institutolula.org/as-palestras-de-lula-a-violacao-de-sigilo-bancario-do-ex-presidente-foi-um-ato-criminoso. Outras informações sobre as palestras foram prestadas espontaneamente ao Ministério Público, para esclarecer os fatos e desafazer ilações indevidas em Notícia de Fato protocolada na Procuradoria da República no Distrito Federal. O Instituto Lula não comenta vazamentos seletivos de procedimentos judiciais nem documentos supostamente oficiais extraídos de seu contexto.

Assessoria de Imprensa do Instituto Lula

COM A PALAVRA, A ANDRADE GUTIERREZ

A Andrade Gutierrez informou que não vai comentar.