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Nas redes, Padilha critica imprensa por ”diz que ouviu falar”

Nas redes, Padilha critica imprensa por ”diz que ouviu falar”

Em sequência de twittes, ex-ministro da Saúde do governo Dilma revela inconformismo com divulgação da delação de Ceará, entregador de dinheiro do doleiro Alberto Youssef, que o vinculou ao laboratório da Lava Jato

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Valmar Hupsel Filho e Fausto Macedo

06 Janeiro 2016 | 19h55

Foto: Jf Diório/Estadão

Foto: Jf Diório/Estadão

O secretário municipal de Saúde de São Paulo, Alexandre Padilha, usou as redes sociais para atacar a divulgação pela imprensa e apresentar mais uma vez sua versão sobre o depoimento do entregador de dinheiro do doleiro Alberto Youssef, Carlos Alexandre de Souza Rocha – em delação premiada, Ceará, como Carlos Alexandre é conhecido, afirmou à Procuradoria-Geral da República ter ouvido de Youssef que Padilha ficaria com uma parte da Labogen, laboratório adquirido pelo doleiro e usado por ele para tentar fraudar contratos milionários no Ministério da Saúde do governo Dilma e enviar dinheiro de forma fraudulenta para o exterior.

Ceará relatou ainda uma conversa que presenciou entre Youssef e o ex-deputado André Vargas, na qual o ex-vice líder do PT na Câmara afirmou que “está tudo certo com o ministro”. O funcionário de Youssef ainda disse à Procuradoria que posteriormente confirmou com o chefe que o ministro citado na conversa com Vargas era o então titular da Saúde, Alexandre Padilha.

Padilha publicou uma sequência de posts em sua conta no Twitter. “Sobre as matérias que têm saído na imprensa a meu respeito sobre o diz-que-ouviu-falar no caso do laboratório”, inicia o secretário da gestão Fernando Haddad.

A versão do ex-ministro, passada por sua assessoria de imprensa na tarde de terça-feira, 5, já havia sido publicada.

padilha

Em uma sequência de twittes que postou entre as tardes desta terça,5, e da quarta-feira, 6, Padilha afirma ser “absurda e irresponsável qualquer tentativa de mais uma vez me vincular ao laboratório por meio de ‘conversas ouvidas de terceiros’ numa delação”. Ele diz que não houve contrato entre a Labogen e o Ministério da Saúde em sua gestão e ressalta que não é investigado pela Lava Jato. Suas argumentações foram publicadas também em sua página no Facebook.

Não foi encontrado nenhum vínculo do meu nome a qualquer irregularidade, mesmo após uma sindicância do ministério da Saúde concluída há quase dois anos”. “Uma apuração concluída pela Controladoria Geral da União e uma investigação da Polícia Federal. Não fui arrolado em nenhuma investigação suplementar.” “Em nenhum momento estive sob investigação da Operação Lava-Jato e sempre defendi e contribuí com a apuração total de qualquer irregularidade”, escreveu.

Padilha destacou ainda que “seria patético, se não fosse irresponsável” supor e acreditar que “com minhas opiniões e sendo ministro tornaria-me sócio de qualquer laboratório”. O secretário recebeu mensagens de apoio, como do deputado Vicentinho (PT-SP), e também críticas e até ofensas pessoais.

O secretário de Haddad critica a atuação da imprensa que, a seu ver, publicou informação “com base em especulações”. “Um jornalismo que se baseia no diz-que-ouviu-falar e noticia com o ‘iria’ (que não foi), poderia (que não pôde), ficaria (que não ficou) não é honesto”, escreveu. Em outro twitte, Padilha afirma que “uma notícia significa responsabilidade com a verdade”.

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