‘Não temos bola de cristal’ (do juiz ao preso Joesley)

‘Não temos bola de cristal’ (do juiz ao preso Joesley)

Empresário da JBS, preso por suposto uso de informações privilegiadas de sua própria delação premiada no mercado financeiro, foi ouvido em audiência de custódia nesta sexta-feira, 15, na Justiça Federal em São Paulo, e queixou-se de Janot, a quem atribuiu 'ato de covardia'

Luiz Vassallo e Julia Affonso

16 Setembro 2017 | 05h00

O empresário Joesley Batista, da JBS, disse nesta sexta-feira, 15, ao juiz que mandou prendê-lo. “Estou pagando por ter delatado o poder.”

Joesley foi ouvido em audiência de custódia na Operação Acerto de Contas pelo juiz João Batista Gonçalves, da 6.ª Vara Criminal Federal de São Paulo, que decretou sua prisão preventiva por supostamente usar informações privilegiadas de sua própria delação premiada na Procuradoria-Geral da República para lucrar milhões no mercado financeiro em compra e venda de ações.

O empresário foi preso domingo, 11, inicialmente em regime temporário por cinco dias, segundo decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, por suposta violação do acordo de delação que fechou com a Procuradoria. Na quinta, 14, Fachin atendeu requerimento do procurador-geral Rodrigo Janot e converteu em preventiva o regime de custódia imposto a Joesley.

Joesley disse que prestou a ‘maior e mais efetiva colaboração’. Ele gravou conversa com o presidente Michel Temer, no Palácio do Jaburu, na noite de 7 de março. O áudio é peça importante das acusações de Janot ao presidente. Por sua colaboração, o executivo ganhou um pacote de generosidades – imunidade ampla -, agora desfeito a pedido do próprio Janot e atendido pelo ministro Fachin.

“O procurador (Rodrigo Janot), acho que foi muito questionado sobre a nossa imunidade e, por fim, resolveu pedir a quebra da nossa imunidade. Acho que um ato de covardia por parte dele (Janot), depois de tudo o que fizemos, depois de tudo que entregamos de prova e tudo.”

‘Esse caso de insider aí até o presidente Temer falou em rede nacional. Eu fui mexer com os poderosos, com os donos do poder, e estou aqui.”