Moro prorroga prisão temporária de ex-gerente da Petrobrás

Decisão também atinge o doleiro Nelson Martins Ribeiro acusado de operar propina para empreiteiras

Ricardo Brandt, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

20 Novembro 2015 | 18h45

Sérgio Moro. Foto: Fernando Bizerra Jr

Sérgio Moro. Foto: Fernando Bizerra Jr

O engenheiro Roberto Gonçalves, ex-gerente executivo da área Internacional da Petrobrás, disse à Polícia Federal que ‘não sabe explicar’ por que o lobista Mário Góes afirmou ter pago propinas a ele no esquema de corrupção instalado na estatal entre 2004 e 2014. Alvo da Operação Corrosão, 20.ª fase da Lava Jato, Gonçalves foi preso pela PF na segunda-feira, 16, em caráter temporário por cinco dias. Nesta sexta, 20, a Procuradoria da República pediu e o juiz federal Sérgio Moro prorrogou a prisão temporária de Gonçalves.

Acompanhado de seu advogado, James Walker, o ex-gerente depôs à delegada Renata da Silva Rodrigues, da PF em Curitiba, base da missão Lava Jato.


Mário Goes é apontado como operador de propinas. Ele fez delação premiada. A propina para Gonçalves teria saído de contratos celebrados pela Sete Brasil, criada pela Petrobrás em 2010. Outro delator, o empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC Engenharia, afirmou que entregou propinas ao então gerente executivo da Petrobrás ’em espécie, por cerca de seis vezes, algumas em um bar na Rua da Assembleia, quase em frente à Universidade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro, e outras na sede da UTC, no Rio’.

O ex-gerente da Petrobrás disse que conheceu Mário Goes em 2007 ou 2008 ‘por conta de sua atuação na área de engenharia naval’. “Goes era representante de empresas que atuavam nessa área. Encontrou Goes em diversas ocasiõaes, desde o momento que o conheceu, tendo inclusive conhecido sua família e tendo estado em sua residência em São Conrado.”

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Gonçalves disse que ‘manteve contatos telefônicos com Mário Goes, ‘pessoa com quem manteve certa proximidade’.

Gonçalves substituiu Pedro Barusco na Gerência Executiva da Diretoria de Serviços da Petrobrás, um dos principais focos de corrupção na estatal. Barusco confessou ter recebido US$ 97 milhões em propinas. Ele disse que Gonçalves ‘estava entre os beneficiários’ de propinas e que ‘para tanto utilizou conta secreta no exterior’. A Procuradoria alega ter descoberto que Gonçalves mantinha conta no Banco Pictet&CO em nome da offshore Mayana Trading.

Ao decretar a prisão temporária do ex-gerente da Petrobrás, o juiz Sérgio Moro citou relatório de Comissão de Apuração Interna da própria estatal, que imputou a Roberto Gonçalves ‘parte das irregularidades’ encontradas nas licitações e contratos do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (COMPERJ), como a contratação direta do Consórcio TUC ((Odebrecht, UTC Engeharia e PPI – Projeto de Plantas Industriais Ltda.) para montagem das Unidades de Geração de Vapor e Energia. A comissão entendeu que não havia justificativa para a contratação direta sem licitação.

Questionado pela Polícia Federal, Gonçalves afirmou que não lhe cabia ‘decidir pela contratação direta ou não’.

A delegada Renata insistiu e perguntou ao ex-gerente se ele solicitou autorização para que o contrato referente ao Consórcio TUC (Central de Utilidades) fosse feito de forma direta. “Afirma que era a praxe que tais solicitações partissem dos executivos da sua área (Engenharia) e da Área de Abastecimento, e que de fato realizou o pedido de autorização por que o Consórcio TUC já vinha negociando com a Petrobrás desde 2008, e entendia que a contratação direta seria a medida mais adequada dado o lapso de tempo já transcorrido.”