‘Não me reuni a portas fechadas’, diz Janot

‘Não me reuni a portas fechadas’, diz Janot

Em entrevista exclusiva à Agência Pública, de jornalismo investigativo, ex-procurador-geral relata os motivos que o levaram a criticar em sua conta no Twitter encontro do presidente Temer com a ministra Cármen Lúcia, do Supremo

Redação

23 Março 2018 | 04h50

Rodrigo Janot. Foto: Amanda Perobelli/Estadão

Em entrevista à Agência Pública, de jornalismo investigativo, o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot relatou os motivos que o levaram a criticar em sua conta no Twitter o encontro entre o presidente Michel Temer e a ministra Cármen Lúcia, do Supremo, no dia 10, sábado. De Bogotá, por email, Janot falou de um encontro que teve em um bar em Brasília, no ano passado, com o criminalista Pierpaolo Bottini, defensor de políticos e empresários como Joesley Batista da JBS, sob investigação no Supremo, e ressaltou. “Não me reuni a portas fechadas.”

No Twitter, Janot avaliou sua própria entrevista, nesta quinta-feira, 22. ‘Pingos nos iii’

Janot disse que ficou ‘perplexo’ quando soube da reunião do presidente e Cármen, na casa da ministra.

Segundo ele, ‘a perplexidade decorreu da informação de que o senhor presidente da República teria ido à residência da presidente do STF para tratar de segurança pública’.

“Diante do quadro atual de graves problemas nesse setor, o assunto segurança pública merece ser tratado com profissionalismo e redobrada dedicação”, declarou o ex-procurador-geral à Pública.

A Agência indagou a Janot sobre o encontro com Pierpaolo no bar. O ex-chefe do Ministério Público Federal disse que seu encontro ‘foi casual, em local público, com várias pessoas presentes’. Ele afirma que não tratou com o advogado de ‘nenhum assunto relativo a trabalho’. “Não me reuni a portas fechadas.”

Perguntado sobre as duas denúncias formais que fez em 2017, então no cargo de procurador-geral, contra Temer por corrupção passiva e obstrução de Justiça, ambas enterradas pela Câmara, Janot disse que fez um ‘juízo técnico’. “A Câmara fez um juízo político.”

O ex-procurador-geral disse acreditar que políticos envolvidos em casos de corrupção não serão votados nas próximas eleições no País. Ele avalia que haverá uma ‘grande renovação no cenário político’. “As ruas estão caladas, mas o silêncio é eloquente.”

Sobre o ex-procurador Marcelo Miller, sob suspeita de ter trabalhado para a JBS quando ainda exercia o cargo no Ministério Público Federal, Janot foi enfático. Segundo ele, Miller já não fazia mais parte do grupo da Operação Lava Jato havia mais de um ano.

Janot disse que chegou a pedir a prisão do ex-colega.

Sobre a atuação de sua sucessora, Raquel Dodge, ele declarou à Pública. “Sempre penso que um pouco mais de transparência seria desejável.”

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