‘Não dá prá nós chegar e contar 30 traquinagem nossa, vamos contar 20’

‘Não dá prá nós chegar e contar 30 traquinagem nossa, vamos contar 20’

O áudio que pode levar à rescisão do acordo de delatores revela que Joesley Batista chegou a estipular quanta informação daria às autoridades em sua colaboração

Da Redação

06 Setembro 2017 | 17h45

Joesley Batista. Foto: Ayrton Vignola/AE

O áudio que pode levar à rescisão do acordo de delatores revela que Joesley Batista chegou a estipular quanta informação daria às autoridades em sua colaboração. O conteúdo do diálogo será investigado, a pedido de Janot, por conter suposta confissão de crimes não antes revelados pelos delatores e irregularidades que teriam sido cometidas pelo ex-procurador Marcelo Miller, que mudou de lado e foi contratado por escritório de advocacia que atuou no acordo de leniência da J&F.

“Não dá pra nós um dia chegar e contar 30 traquinagem nossa, 30. Nós vamos contar 20, sei lá, traquinagem nossa, sem nós termos tomado um bombardeio. Não dá… É subliminar, tá combinado, ninguém combinou comigo, mas tá combinado, cê tem que entender, tá tudo combinado”, afirmou Joesley.

Joesley ainda indaga ao delator Ricardo Saud sobre a repercussão que haveria quando o acordo fosse tornado público.

“É o seguinte, tá tudo combinado, não dá pra daqui 30, 60 dias, nós chegar e disser “nós vamos falar de 200 políticos, dos partidos, do Temer, do *”. E do nada, é estranho, vai ficar estranho, eles vão moer nos, moer, moer, e de repente nós vamos falar assim BUM, aí faz sentido, se não não faz nem sentido, tá doido, ninguém combinou comigo, ninguém falou comigo, mas eu to entendendo”, disse.

O Procurador-geral da República pediu investigação, nesta segunda-feira, 4, sobre o áudio no qual os delatores da JBS mencionam que o advogado Marcelo Miller, à época em que era procurador, teria atuado para garantir facilidades aos delatores junto à Procuradoria-Geral da República.

Miller integrou a força-tarefa da Operação Lava Jato e atuou nas delações do ex-senador Delcídio do Amaral e  do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado.

Após deixar o Ministério Público Federal, ele passou a integrar o escritório de advocacia Trench, Rossi e Watanabe, e integrou o time de advogados que negociaram o acordo de leniência da J&F.

Janot pediu abertura de inquérito sobre a possível omissão de crimes pelos delatores e para investigar a menção ao ex-procurador da República.

Segundo o chefe do Ministério Público Federal, a investigação pode culminar com a anulação do acordo da JBS, mas está fora de cogitação anular as provas entregues pelos executivos.