‘Nada de propina, para rezar é preciso coragem e paciência’

‘Nada de propina, para rezar é preciso coragem e paciência’

Pregação de Francisco destaca-se no site da Diocese de Formosa, alvo da Operação Caifás que, nesta segunda-feira, 19, prendeu o bispo Dom José Ronaldo e mais quatro padres por supostos desvios de R$ 2 milhões dos fiéis

Julia Affonso, Luiz Vassallo e Fausto Macedo

20 Março 2018 | 04h55

Uma singela mensagem do Papa destaca-se no site da Diocese de Formosa, em Goiás, alvo principal da Operação Caifás que, nesta segunda-feira, 19, prendeu o bispo Dom José Ronaldo, quatro padres, o vigário-geral e um monsenhor por supostos desvios de R$ 2 milhões dos fiéis.

“Nada de propina, para rezar é preciso coragem e paciência”, pregou o Papa na homilia da missa celebrada na Casa Santa Marta.

As palavras de Francisco foram reproduzidas na sexta-feira, 16, no site da Diocese de Formosa.
O Pontífice recomendou.

“Nada de propina. Eu estou com o povo. E estou Contigo. Esta é a oração de intercessão: uma oração que argumenta, que tem a coragem de dizer na cara ao Senhor, que é paciente. É preciso paciência na oração de intercessão: nós não podemos prometer a alguém de rezar por ele e depois concluir a coisa com um Pai-Nosso e uma Ave Maria e ir embora. Não. Se você diz rezar por outra pessoa, tem que ir por este caminho. E para isso é preciso paciência”.

Apenas três dias depois de divulgar em seu site o recado de Sua Santidade, a Diocese de Formosa virou caso de polícia, nesta segunda-feira, 19.

A Operação Caifás é uma missão conjunta do Ministério Público de Goiás e da Polícia Civil. Munidos de ordem judicial, os agentes da Caifás cumpriram 9 de 13 mandados de prisão temporária, por cinco dias – seis alvos são religiosos, o bispo Dom José Ronaldo, quatro padres, um monsenhor e o vigário-geral.

Também foram executados 10 mandados de buscas, inclusive em um mosteiro, nos municípios de Planaltina, Posse e Formosa.

De acordo com o Novo Testamento, Caifás – que dá nome à operação policial – participou do julgamento de Jesus no Sinédrio, supremo tribunal dos judeus, após a prisão deste no Jardim de Getsêmani.

A investigação aponta que Dom José Ronaldo e seus pares teriam enriquecido ilicitamente por meio do desvio de dízimos e doações dos fiéis.

Pelo menos R$ 2 milhões teriam sido desviados, em uma estimativa preliminar da Promotoria.

Os investigadores suspeitam que o bispo, que assumiu a Diocese de Formosa em 2015, era o mentor do esquema. Por meio de ‘laranjas’, ele e os padres teriam adquirido carros de luxo, uma fazenda para criação de gado e até uma casa lotérica, segundo o Ministério Público.

Segundo o site da Diocese, ao falar ‘nada de propina, para rezar é preciso coragem e paciência’ o Pontífice estava em reflexão sobre o poder da oração, ‘partindo do diálogo entre Deus e Moisés’.
“O ponto de partida foi a primeira leitura, extraída do livro do Êxodo, com o diálogo entre o Senhor e Moisés sobre a apostasia do seu povo. Moisés não cedeu à lógica da propina”, afirma o texto no site da Diocese de Dom José Ronaldo.

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