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My Web Day, o ‘manual da propina’ da Odebrecht

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My Web Day, o ‘manual da propina’ da Odebrecht

Software desenvolvido pela empreiteira para gerenciar contabilidade paralela foi detalhado pela ex-secretária dos executivos do grupo

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Mateus Coutinho, Ricardo Brandt e Julia Affonso

23 Março 2016 | 04h04

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Primeira funcionária da Odebrecht a firmar um acordo de delação premiada e contar o que sabe sobre o complexo esquema de pagamentos de propinas da empreiteira envolvendo agentes públicos, políticos e licitações na Petrobrás e em outras áreas do governo federal, Maria Lúcia Guimarães Tavares mantinha em sua residência o manual completo do software desenvolvido pela própria empreiteira e que foi usado para gerenciar a contabilidade das propinas das empresas do grupo.

Rotulado de My Web Day, o sistema fazia parte do dia a dia de trabalho de Maria Lúcia na sede da empreiteira, em Salvador (BA). Em sua residência foi encontrado o manual de 62 páginas que detalha as funcionalidades do sistema de informação desenvolvido pela própria Odebrecht para uso interno na década de 1990.

Após a deflagração da operação Xepa, os executivos da empreiteira decidiram, nesta terça-feira, 22, colaborar com as autoridades.

Maria Lúcia fechou acordo de delação premiada com a força-tarefa da Operação Lava Jato. Suas revelações deram suporte para a Operação Xepa, 26.ª etapa da Lava Jato, deflagrada nesta terça-feira, 22. O impacto da Xepa acabou levando a própria Odebrecht admitir fazer o que chamou em nota de ‘colaboração definitiva’. Oficialmente, é a primeira vez que a grande empreiteira coloca seus executivos no caminho da delação.

My Web Day permite, dentre outros, o gerenciamento de contratos da empresa de forma minuciosa, identificando os tipos de contrato, natureza do serviço, período de vigência, além de outros caminhos. Trabalhando na Odebrecht desde 1977, e desde 2010 no setor de Operações Estruturadas, Maria Lúcia Tavares revelou que o sistema era utilizado por ela e seus superiores para fazer a “contabilidade paralela” da empresa.

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“Esclarece que seu dia normalmente iniciava com uma checagem de seu e-mail funcional para verificar pendências; que então logava em um sistema chamado MyWeb Day, da Odebrecht, que era utilizado apenas pelo setor de Operações Estruturadas até onde sabe; que se outros setores da empresa utilizavam o My Web Day não era com a mesma finalidade”, afirmou Maria Lúcia. Nos próprios informativos internos da Odebrecht há o registro de que o sistema teria sido encerrado totalmente em 2012 e substituído por um outro mais moderno desenvolvido em conjunto com a empresa americana Oracle.

Maria Lúcia foi presa em 22 de fevereiro deste ano, na 23ª etapa da Lava Jato denominada Acarajé, em referência a uma das expressões utilizadas por ela e outros funcionários da Odebrecht para designar os pagamentos de propinas em dinheiro vivo da empreiteira. Na ocasião, sua casa foi alvo de buscas, e a PF encontrou, além de inúmeras planilhas e registros da “contabilidade paralela”, o manual do sistema desenvolvido para aprimorar a gestão da empreiteira e que acabou sendo desvirtuado para operar a movimentação de dinheiro ilícito.

CONFIRA O MANUAL DO ‘SOFTWARE DA PROPINA’ DA ODEBRECHT:

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COM A PALAVRA, A ODEBRECHT:

“A empresa e seus integrantes têm prestado todo o auxílio às autoridades nas investigações em curso, colaborando com os esclarecimentos necessários.”

 

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