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Moro quer dados de conta de João Santana na Suíça

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Moro quer dados de conta de João Santana na Suíça

Ao analisar o pedido de revogação da prisão do marqueteiro de Lula e Dilma e de sua mulher Monica Moura, juiz da Lava Jato lembra que, até o momento, só ocorreu análise da movimentação de offshore do casal nos EUA

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Mateus Coutinho e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

25 Fevereiro 2016 | 19h22

Juiz federal Sérgio Moro. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Juiz federal Sérgio Moro. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

O juiz da Lava Jato, Sérgio Moro, deu 24 horas para que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal se manifestem sobre o pedido da defesa pela revogação da prisão temporária do marqueteiro do PT João Santana e sua mulher e sócia Mônica Moura. No despacho, o juiz ainda manda o casal apresentar os extratos da conta da offshore Shellbill Finance mantida por eles na Suíça.

Até agora, a Lava Jato só utilizou os dados da conta da empresa no Citibank nos Estados Unidos, que não foi declarada para as autoridades brasileiras, para apurar as suspeitas de que o marqueteiro das campanhas presidenciais de Lula (2006) e de Dilma (2010 e 2014)teria recebido recursos ilícitos do esquema de corrupção na Petrobrás no exterior.

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O ex-marqueteiro do PT João Santana em Curitiba. FOTO:   REUTERS/Rodolfo Buhrer

O ex-marqueteiro do PT João Santana em Curitiba. FOTO: REUTERS/Rodolfo Buhrer

“Para melhor análise deste Juízo, seria ideal que fossem disponibilizados pelos investigados e sua Defesa os extratos completos da conta em nome da off-shore Shellbil S/A, no Banque Heritage, na Suíça, já que somente se dispõe das transações efetuadas pelo banco correspondente nos Estados Unidos”, assinala Moro no despacho.

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Santana e sua mulher estavam trabalhando na campanha à reeleição do presidente da República Dominicana até domingo e retornaram ao Brasil após a deflagração da 23ª fase da operação, na última segunda-feira, 22. Ambos já depuseram à Polícia Federal e confirmaram terem mantido a conta no exterior da offshore Shellbill Finance, que não foi declarada às autoridades brasileiras e recebeu, entre 2012 e 2014, US$ 7,5 milhões da Odebrecht e do lobista Zwi Skornicki, apontado como operador de propinas no esquema de corrupção na Petrobrás.

O publicitário afirmou à PF que criou a Shellbill em 1998 para receber recursos por um trabalho que realizou para a campanha presidencial na Argentina e que vinha mantendo ela desde então como “poupança”. Ele e sua esposa afirmaram que a conta da Shellbill nos EUA foi utilizada para o recebimento de valores referentes a campanhas no exterior e sem relação com os trabalhos prestados pelo casal no Brasil.

Os dois foram os marqueteiros das últimas três campanhas presidenciais do PT, Dilma Rousseff (2010 e 2014) e Luiz Inácio Lula da Silva (2006). Fora do Brasil, participavam até domingo da campanha na República Dominicana, mas atuaram em Angola, no Panamá, na Venezuela.

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