Moro põe operador do PMDB em domiciliar para cirurgia

Moro põe operador do PMDB em domiciliar para cirurgia

Jorge Luz, que relatou ao juiz da Lava Jato supostos esquemas envolvendo peemedebistas, será internado em hospital no Rio; o magistrado fixou período de três meses para que cumpra prisão em casa com o uso de tornozeleira eletrônica

Julia Affonso e Luiz Vassallo

15 Fevereiro 2018 | 14h29

Jorge Luz. Foto: Reprodução

O juiz federal Sérgio Moro mandou o lobista Jorge Luz para prisão domiciliar por um prazo de três meses para que ele possa passar por uma cirurgia em um hospital no Rio de Janeiro. O operador ligado ao PMDB está acometido por um câncer ‘com grau de agressividade alto’, segundo seus advogados. Luz está condenado a 13 anos e 8 meses por corrupção e lavagem de dinheiro na Operação Lava Jato.

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A defesa informou Moro de que ‘plano recomendad0’ pelo médico do lobista ‘seria de internação no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro/RJ, com a realização de exames preliminares, sendo a cirurgia agendada em seguida’.

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Luz ‘deverá ficar internado por 14 dias após a cirurgia e após esse período deverá ter alta e fazer controle periódico e semanal em seu consultório até o completo restabelecimento’, de acordo com os advogados.

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“A previsão é de que o tratamento dure 60 dias, desde a internação até a alta”, informaram ao juízo.

“Não obstante, considerando-se que se trata de prisão provisória, que o condenado possui elevada idade (74 anos) e que está acometido de doença grave, a prudência recomenda, para evitar que o recolhimento ao cárcere comprometa de qualquer forma o êxito dos cuidados médicos recomendados, a concessão a ele de tratamento mais leniente, enquanto durar o tratamento”, considerou Moro.

Moro afirmou entender ‘não ser o caso de revogar a prisão preventiva de Luz, mas disse ser ‘pertinente a concessão do benefício da prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica, enquanto durar o tratamento e até nova deliberação do Juízo’.

Luz terá de entregar os passaportes à Justiça até esta sexta-feira, 16. Ele está proibido de deixar o país. Moro mandou a PF colocar tornozeleira eletrônica no operador do PMDB.

Condenação. Em outubro de 2017, Luz foi condenado a 13 anos e 8 meses de prisão em primeira instância. Ele foi acusado de de atuar junto aos lobistas Fernando Soares e Julio Camargo na operacionalização de propinas de R$ 15 milhões a políticos do PMDB oriundas da contratação do navio-sonda Petrobras 10.000 do estaleiro coreano Samsung ao custo de US$ 586 milhões entre 2006 e 2008.

Colaboração. Em depoimento ao juiz Sérgio Moro, Jorge confessou pagamento de R$ 11,5 milhões aos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Jader Barbalho (PMDB-PA), ao ex-ministro de Minas e Energia do governo Lula, Silas Rondeau, e ao deputado federal Aníbal Gomes (PMDB-CE). Os repasses teriam ocorrido em contrapartida do suposto apoio dos políticos para fortalecer os ex-diretores da área Internacional Nestor Cerveró e de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, na estatal, após solicitação de Fernando Soares, em 2005.

Em uma planilha entregue à Justiça Federal do Paraná, em agosto de 2017, Jorge Luz identifica US$ 418 mil dos R$ 11,5 milhões em propinas que confessou ter intermediado aos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Jader Barbalho (PMDB-PA), ao ex-ministro de Minas e Energia do governo Lula, Silas Rondeau, e ao deputado federal Aníbal Gomes (PMDB-CE).