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OPERAçãO LAVA JATO

Moro mantém empresário que picava provas mais cinco dias na prisão

Ademir Auada é apontado como integrante da organização que formava offshores para proprietários de apartamentos no Condomínio Solaris, no Guarujá, onde ex-presidente Lula teria um tríplex

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Fausto Macedo e Ricardo Brandt

01 Fevereiro 2016 | 22h04

GRAMPO-TRIPLOX

O juiz federal Sérgio Moro prorrogou nesta segunda-feira, 1º, por mais cinco dias a prisão temporária do empresário Ademir Auada – apontado como líder de uma organização que formava empresas offshores para camuflar a propriedade de imóveis no condomínio Solaris, no Guarujá, onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria um tríplex.

Durante as investigações, a Polícia Federal interceptou telefonemas de Auada orientando a filha, Carolina, a destruir provas. Pai e filha destruíram tantos papeis que a máquina um dia “queimou”.

A Operação Triplo X, deflagrada na semana passada, atribui a Auada o papel de líder do esquema de constituição de offshores. A publicitária Nelci Warken, que também foi presa, aparece como proprietária de um tríplex em uma torre vizinha à qual Lula teria imóvel – o ex-presidente nega a propriedade.

Moro acolheu pedido da PF e da Procuradoria da República ao ampliar em mais cinco dias a custódia temporária do empresário. A PF alertou que ‘ainda não foi possível no exíguo tempo examinar todo o material apreendido’ durante a Operação Triplo X.

“A análise preliminar dos documentos apreendidos na residência do investigado corrobora os indícios de participação em grupo cuja atividade principal é dirigida à ocultação de valores por meio de empresas offshore”, assinala a PF. “Destaco, entretanto, que não foi possível esgotar a análise de todo material apreendido, mormente os equipamentos de informática. Considerando o volume de materiais apreendidos, não há nenhuma possibilidade material de encerramento da análise num curto espaço de tempo.”

A PF destacou, ainda, para “aparente colaboração de Ademir Auada com as apurações”. “Ademir Auda é responsável pela constituição e estruturação empresarial offshore e também pela abertura de contas bancárias internacionais em nome dessas empresas. O preso já foi inquirido e, em sede de interrogatório, confirmou sua atuação no ramo de consultoria e assessoria para criação e estruturação empresarial offshore. Ademais, identificou seus clientes e as respectivas empresas internacionais a que estão vinculados”, assinalou o juiz Moro.

Ao acolher o pedido de ampliação da prisão temporária do empresário, o juiz da Operação Lava Jato observou. “Não obstante a aparente colaboração, no contexto da prática aparente de diversos crimes de falso e da ocultação e explícita destruição de documentos, inclusive por Ademir Auada, surpreendido na atividade de picotar documentos, reputo justificado.”

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