‘Moro é um cisco, não é nada, um instrumento’, ataca Zé Dirceu, prestes a voltar para a cadeia da Lava Jato

‘Moro é um cisco, não é nada, um instrumento’, ataca Zé Dirceu, prestes a voltar para a cadeia da Lava Jato

Durante evento em sindicato em Brasília, ex-ministro de Lula hostiliza publicamente juiz federal que o condenou

Renan Truffi / BRASÍLIA

16 Abril 2018 | 23h49

O ex-ministro José Dirceu, ao lado do líder do MST, João Pedro Stedile, no auditório de sindicato. FOTO DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Em liberdade enquanto aguarda o julgamento de seu último recurso no Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), marcado para quinta-feira, 19, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu disse nesta segunda-feira, 16, que o juiz federal Sérgio Moro é um “cisco” e funciona como um “instrumento” de perseguição política contra o PT.

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Diante da possibilidade de ser preso mais uma vez, o petista, condenado a 30 anos e 9 meses de prisão, pediu que os membros partido não se preocupem com ele, mas com a liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Lava Jato.

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“Meus companheiros de cela muitas vezes, pela inocência, se desesperaram, e eu falei: ‘Está vendo esse cisco?’ É o Moro’. Ele não é nada, é um instrumento. O aparato policial judicial é um aparato de perseguição política. Não é só de criminalizar o PT, há setores que estão percebendo isso”, afirmou.

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FOTOS: A casa de José Dirceu em Vinhedo (SP)

“Todo lugar é uma trincheira. Onde eu estiver, vou estar numa trincheira, mas sou como um de vocês: eu estou preocupado com Lula, não comigo. Vocês podem ver que eu me cuidei. Eu sou um soldado, temos que libertar o Lula. Temos que enfrentá-los e não baixar a cabeça. Eles têm que ter certeza de que vamos ressurgir das cinzas. Temos que ser implacáveis com eles. Eles não deixaram a gente governar, por que vamos deixar eles governar?”, declarou o ex-ministro.

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O TRF-4 aumentou a pena de Dirceu de 20 anos e 10 meses para 30 anos e 9 meses pelos crimes de corrupção passiva, pertinência a organização criminosa e lavagem de dinheiro.

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O discurso foi feito durante reunião com a militância petista, nesta segunda, em Brasília, na sede do Sindicato dos Servidores Públicos Federais do Distrito Federal.

Diante de uma plateia de aproximadamente 100 pessoas, Dirceu pediu que os partidários se sentissem representando “todos os petistas”. Em tom de despedida, fez questão de lembrar do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e do ex-deputado André Vargas, também presos, e alertou os militantes que o principal inimigo da sigla é o sistema financeiro.

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“Nosso principal inimigo é o sistema financeiro bancário, o rentismo e a Rede Globo. Vocês sabem que eu gosto de uma aliança, mas vamos precisar rever a forma petista de governar. A questão é como governar sem aderir à receita neoliberal. Os desafios são muitos, mas eu sou otimista. Nós precisamos tirar lições do que aconteceu no País”, afirmou.