Moro e Lula frente a frente

Moro e Lula frente a frente

Nesta quarta-feira, 13, juiz da Lava Jato e ex-presidente se reencontram pela segunda vez, desta vez na ação penal em que petista é réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro supostamente recebido da Odebrecht para compra de um terreno que abrigaria a futura sede do Instituto Lula

Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, e Julia Affonso

13 Setembro 2017 | 05h00

O depoimento de Lula a Moro em 10 de maio. Foto: Reprodução

O segundo encontro entre o ex-presidente Lula e o juiz federal Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, tem data e hora. A partir das 14h desta quarta-feira, 13, o petista será interrogado pelo magistrado da Lava Jato.

Na última vez que Lula e Moro ficaram frente a frente, em 10 de maio, o ex-presidente falou por mais de 4 horas e meia. O tema central daquela audiência era o triplex do Guarujá, no litoral de São Paulo.

Desta vez, a acusação aponta supostas propinas da Odebrecht. Lula é réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro sobre contratos entre a empreiteira e a Petrobrás.

Segundo o Ministério Público Federal os repasses ilícitos da Odebrecht chegaram a R$ 75 milhões em oito contratos com a estatal. O montante, segundo a força-tarefa da Lava Jato, inclui um terreno de R$ 12,5 milhões para Instituto Lula e cobertura vizinha à residência de Lula em São Bernardo do Campo de R$ 504 mil.

O novo interrogatório de Lula é cercado de grande expectativa, sobretudo depois do interrogatório explosivo de Antonio Palocci, que foi o poderoso ministro do próprio Lula e depois do governo Dilma, ocupando pastas estratégicas, a Fazenda e a Casa Civil.

Palocci rompeu o silêncio, fez um relato devastador e entregou o ex-presidente, a quem atribuiu envolvimento com o que chamou de ‘pacto de sangue’ com a empreiteira Odebrecht que previa repasse de R$ 300 milhões para o governo petista e para Lula.

Além do ex-presidente e de Branislav Kontic, ex-assessor de Palocci, também respondem ao processo o próprio ex-ministro, o advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula – que será interrogado na quarta-feira, 20 -, o empreiteiro Marcelo Odebrecht e outros três investigados.

Neste processo, Lula arrolou 87 testemunhas. O número de convocados provocou um embate entre a defesa do petista e Moro. Em abril, o juiz chegou a exigir que o ex-presidente fosse a cada audiência de suas testemunhas. A decisão caiu após ordem do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que liberou Lula de comparecer aos depoimentos.

As declarações de Palocci não devem afetar o apoio que o ex-presidente receberá. O movimento pró-Lula informou que 2.500 pessoas chegarão à Curitiba para o segundo interrogatório do petista.

Segundo o secretário de Segurança Pública do Paraná, Wagner Mesquita, será montado o mesmo esquema estruturado para o primeiro interrogatório de Lula, em maio. O perímetro em torno do prédio da Justiça Federal, no bairro Ahu, será bloqueado, como área de segurança. Segundo o secretário, cerca de 1,5 mil homens trabalharão no esquema de segurança.

Lula já foi condenado na Lava Jato. Em julho, Sérgio Moro aplicou uma pena de 9 anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro ao petista no caso tríplex.

Há ainda, sob a tutela da Lava Jato no Paraná uma terceira ação penal. O ex-presidente é acusado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em obras do sítio de Atibaia, no interior de São Paulo. Este processo poderá colocar Lula e Moro frente a frente pela terceira vez na Lava Jato.

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