Moro dá mais 15 dias para PF concluir inquérito sobre Sérgio Cabral

Moro dá mais 15 dias para PF concluir inquérito sobre Sérgio Cabral

Magistrado atendeu pedido da PF, que alegou 'análise da grande quantidade de material apreendido'; ex-governador está preso desde 17 de novembro no Complexo de Bangu, no Rio

Julia Affonso e Mateus Coutinho

03 Dezembro 2016 | 06h35

Sérgio Cabral - 2013 - Foto: Marcos Arcoverde/Estadão Conteúdo

Sérgio Cabral – 2013 – Foto: Marcos Arcoverde/Estadão Conteúdo

O juiz federal Sérgio Moro atendeu pedido da Polícia Federal e deu mais 15 dias para conclusão do inquérito que investiga o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) na Operação Lava Jato. O magistrado alertou que não haverá nova prorrogação.

“Defiro o requerido e concedo prazo de mais 15 dias para conclusão do inquérito (até 16/12/16). Alerto que não haverá nova prorrogação e é desejável que não seja utilizado todo o prazo, dada a proximidade do recesso judicial”, decidiu o juiz Moro.

Ao pedir a Moro a prorrogação do inquérito, a Polícia Federal alegou ‘existência de diligências pendentes, dentre as quais análise da grande quantidade de material apreendido’. O Ministério Público Federal deu parecer favorável ao pedido da PF.

Moro considerou ‘razoável’ a solicitação.

“Foram cumpridos, ainda, por ordem do Juízo Titular, e a pedido da PF e do MPF, dezenas de mandados de busca e apreensão, na data de 17 de novembro de 2016, data da deflagração desta operação. Razoável, então, não ter havido tempo hábil para a análise de todo o material apreendido, conforme noticia a autoridade policial, sendo salutar a concessão do prazo adicional previsto em lei para a finalização da investigação”, afirmou o magistrado.

“Apesar das provas já referidas na decisão em questão, apontando, em cognição sumária, provas de materialidade de crimes e indícios de autoria em relação ao investigado, afigura-se salutar conceder mais tempo à Polícia Federal para melhor análise do material apreendido.”

Documento

Sérgio Cabral, preso na Operação Calicute – desdobramento da Lava Jato -, em 17 de novembro, é investigado em duas frentes: uma em Curitiba e outra no Rio. O peemedebista está custodiado no Complexo de Bangu, no Rio.

A força-tarefa da Lava Jato, no Paraná, apura pagamento de propina ao ex-governador peemedebista em decorrência do contrato celebrado entre a empreiteira Andrade Gutierrez e a Petrobrás, sobre as obras de terraplanagem no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

No Rio, Sérgio Cabral é investigado pela Lava Jato por corrupção na contratação de diversas obras conduzidas no governo do peemedebista, entre elas, a reforma do Maracanã para receber a Copa do Mundo de futebol de 2014, o PAC Favelas e o Arco Metropolitano, financiadas ou custeadas com recursos federais.

Nesta sexta-feira, 2, a Polícia Federal indiciou Sérgio Cabral, sua mulher, a advogada Adriana Ancelmo, e outros 14 investigados no inquérito relativo à primeira fase da Operação Calicute. Os crimes vão de corrupção passiva e ativa e organização criminosa a lavagem de dinheiro.

A PF informou que serão instaurados outros inquéritos para aprofundamento de novas vertentes da investigação. Entre os crimes que poderão ser investigados mais adiante, segundo apurou o Estado, estão a concessão de incentivos fiscais pelo Estado do Rio a empresas privadas, como joalherias, sonegação fiscal e evasão de valores para o exterior.

 

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