Moro autoriza adesão de 8 executivos à leniência da Carioca

Moro autoriza adesão de 8 executivos à leniência da Carioca

A decisão que amplia o acordo da empreiteira foi tomada na quinta-feira, 13, pelo juiz da Lava Jato

Julia Affonso, Mateus Coutinho e Ricardo Brandt

18 Outubro 2016 | 05h00

Sérgio Moro. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Sérgio Moro. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O juiz federal Sérgio Moro autorizou, a pedido do Ministério Público Federal, a extensão do acordo de leniência da Carioca Engenharia a oito executivos da empreiteira. O acordo impôs à Carioca e a seus donos, Ricardo Pernambuco e Ricardo Pernambuco Junior, multa de R$ 100 milhões. À empreiteira, R$ 10 milhões, e a cada um dos executivos, R$ 45 milhões.

Documento

A leniência da Carioca Engenharia foi homologada por Moro em fevereiro deste ano. A decisão que amplia o acordo a oito executivos foi tomada pelo juiz da Lava Jato na quinta-feira, 13.

Serão beneficiados com a leniência os executivos Alberto Elisio Vilaça Gomes, Albuíno de Azevedo, Alexandre Açakura, Álvaro Monerat, Eduardo Beckheuser, Luiz Fernando dos Santos Reis, Roberto José Teixeira Gonçalves e Tania Fontenelle.

Alberto Elisio Vilaça Gomes foi condenado por Moro em ação penal contra executivos da empreiteira Mendes Júnior. Ele pegou 10 anos de reclusão pelos crimes de corrupção e associação criminosa.

Ricardo Pernambuco e Ricardo Pernambuco Júnior delataram propina de R$ 52 milhões em 36 parcelas ao presidente cassado da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Os dois fecharam acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República.

O relatório de leniência apresentado pela Carioca foi dividido em anexos. Segundo Sérgio Moro, ‘os anexos foram instruídos com elementos que podem ser pertinentes à investigação’.

Os relatos apontam para Mário Góes, que segundo a força-tarefa da Lava Jato é lobista e operador de propinas na Diretoria de Serviços da Petrobrás, e para o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.

Mário Góes também é delator do esquema de corrupção instalado na estatal entre 2004 e 2014.

O anexo 1 trata de ‘acerto comercial entre empresas (fraude a licitações)’ e foi repartido em três partes: obras do GNL da Bahia (TRBA), do Terminal Aquaviário Barra do Riacho (TRBA) e participação em caráter não-competitivo em outras licitações.

O anexo 2 tem como tema ‘geração de caixa 2’.

O anexo 3, ‘destinação dos recursos do caixa 2’, é dividido em pagamentos a Mario Góes’ e ‘pagamentos a João Vaccari Neto’.

O anexo 4 abrange ‘contratação de empresas de consultoria para obtenção de informações privilegiadas no âmbito da Petrobrás’.

OS EXECUTIVOS DA CARIOCA ENGENHARIA QUE ENTRARAM NO ACORDO DE LENIÊNCIA

– Alberto Elísio Vilaça Gomes que ocupou o cargo de Diretor da Carioca Christiani

– Albuíno Cunha de Azevedo Júnior foi empregado da empresa entre os anos de 2011 e 2014

– Alexandre Açakura é empregado da Carioca Christiani Nielsen desde 2001

– Álvaro José Monnerat Côrtes é Diretor Estatutário Operacional da Carioca Christiani Nielsen há aproximadamente dez anos, mas já é empregado da leniente há cerca de trinta anos

– Eduardo Backheuser é Diretor da Carioca Christiani

– Luiz Fernando Santos Reis que ocupou o cargo de Diretor da Carioca Christiani Nielsen até o ano de 2012

– Roberto José Teixeira Gonçalves ocupou o cargo de Diretor da Carioca Christiani Nielsen

– Tania Maria Silva Fontenelle foi conselheira da Carioca Christiani Nielsen até 2015

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