‘Moeda de troca não era simplesmente divisão de poder para governar’

‘Moeda de troca não era simplesmente divisão de poder para governar’

Na flechada histórica contra o presidente, Rodrigo Janot afirma que o modelo implantado foi marcado pela 'compra de apoio político com utilização de dinheiro público'

Julia Affonso e Luiz Vassallo

15 Setembro 2017 | 14h03

O presidente Michel Temer ao lado do ex-ministro Geddel Vieira Lima. Foto: Evaristo Sá/AFP

Na flechada histórica que levou ao Supremo Tribunal Federal contra o presidente Michel Temer e seus principais aliados do PMDB que teriam formado o ‘quadrilhão’ do partido na Câmara, o procurador-geral da República Rodrigo Janot afirmou que ‘a moeda de troca não era simplesmente divisão de poder para governar’.

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“Mas sim a compra de apoio político com a utilização de dinheiro público”, assinalou o procurador na acusação que preenche 245 páginas.

Janot atribui a Temer organização criminosa e obstrução de Justiça – aqui, ao lado do empresário Joesley Batista da JBS e do executivo Ricardo Saud, do Grupo J&F.

Da organização criminosa, segundo o procurador, também faziam parte os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, o ex-ministro Geddel Vieira Lima, o ex-assessor especial Rodrigo Rocha Loures, o ‘homem da mala da JBS’, e os ex-presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves e Eduardo Cunha.

Ao descrever como operava a organização que afirma ter operado sob comando de Temer, o procurador destacou. “A questão central aqui, que torna a conduta dos denunciados ilícitas, é diversa. No caso em tela, no lugar de negociações políticas, temos negociatas ilícitas nas quais a moeda de troca não era simplesmente divisão de poder para governar, mas sim a compra de apoio político com a utilização de dinheiro público.”

Ainda segundo a nova flechada de Janot, ‘diversos princípios constitucionais fundamentais e que regem a Administração Pública foram desprezados em um suposto projeto de governo’.

“Não há nem pode haver exercício regular da atividade política contra a Constituição, as leis do país e em detrimento justamente da sociedade que se pretende governar. Definitivamente, portanto, não se trata aqui de política e muito menos se está aqui a ‘criminalizar a política’.”

COM A PALAVRA, CEZAR BITENCOURT, QUE DEFENDE RODRIGO ROCHA LOURES

“Rodrigo Rocha Loures não participou de nenhum acordo de pagamento ou recebimento de propinas atribuído ao PMDB da Câmara.Rodrigo era apenas um assessor pessoal do Presidente e não tinha nenhuma intervenção em atividades financeiras, ao contrário da recente denúncia contra o PMDB da Câmara.  A defesa repudia veemente mais uma denúncia leviana de Rodrigo Janot!!!”

COM A PALAVRA, DANIEL GERBER, QUE DEFENDE ELISEU PADILHA

Sobre a denúncia por organização criminosa feita pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot ao Supremo Tribunal Federal, contra o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, o advogado Daniel Gerber que defende o ministro afirma: “Entendo como equivocada o oferecimento de uma denúncia com base em delações que estão sob suspeita, mas iremos demonstrar nos autos a inexistência da hipótese acusatória”.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO DELIO LINS E SILVA JÚNIOR, QUE DEFENDE EDUARDO CUNHA

Sobre a nova denúncia oferecida pela PGR, a defesa de Eduardo Cunha tem a dizer que provará no processo o absurdo das acusações postas, as quais se sustentam basicamente nas palavras de um reincidente em delações que, diferentemente dele, se propôs a falar tudo o que o Ministério Público queria ouvir para fechar o acordo de colaboração.