Miller diz que ‘jamais fez jogo duplo’ nem usou ‘informações sigilosas’ para a JBS

Miller diz que ‘jamais fez jogo duplo’ nem usou ‘informações sigilosas’ para a JBS

Ex-procurador da República, alvo da Operação Acerto de Contas, da Polícia Federal, alega que vai 'esclarecer o sentido e o contexto' de referências a seu nome no celular de executivo delator da JBS

Fábio Fabrini e Julia Affonso

13 Setembro 2017 | 20h03

Marcello Miller. Foto: Alex Lanza / MPMG

O ex-procurador da República Marcello Miller declarou nesta quarta-feira, 13, que ‘jamais fez jogo duplo’ e nem usou informações sigilosas do Ministério Público Federal para favorecer o Grupo J&F, controlador da JBS. Em nota, Miller reagiu às informações de que teria dado ‘orientações’ aos delatores da JBS, Joesley e seu irmão Wesley Batista, quando ainda exercia o cargo na Procuradoria e atuava no gabinete do procurador-geral Rodrigo Janot.

A suposta ajuda de Miller à JBS foi identificada em mensagens no grupo de WhatsApp de Wesley, preso na Operação Acerto de Contas, nova etapa da Tendão de Aquiles, que investiga ganhos milionários dos executivos do grupo por meio de informações privilegiadas de seu próprio acordo de delação no mercado financeiro.

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Em nota, Miller afirmou que ‘repudia veementemente as insinuações e ilações feitas com base no conteúdo das gravações e mensagens divulgadas na imprensa’.

“A defesa está esclarecendo o sentido e o contexto a todas as referências ao nome de Miller.”

Ele reiterou que ‘jamais fez jogo duplo e que não tinha contato com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, nem se aproveitou de informações sigilosas de que teve conhecimento enquanto procurador’.

O ex-procurador afirma que não atuou na Operação Lava Jato desde outubro de 2016, na Operação Greenfield – que investiga a JBS em rombo bilionário dos maiores fundos de pensão do País – ou na Procuradoria da República no Distrito Federal.

“Não atuou em investigações ou processos relativos ao Grupo J&F nem buscou dados ou informações nos bancos de dados do Ministério Público Federal.”

Miller disse que pediu exoneração em 23 de fevereiro, ‘tendo essa informação circulado imediatamente no Ministério Público Federal’.

A nota enfatiza. “Não obstruiu investigações de qualquer espécie, nem alegou ou sugeriu poder influenciar qualquer membro do Ministério Público Federal.”

E finaliza. “Tem uma carreira de quase 20 anos de total retidão e compromisso com o interesse público e as instituições nas quais trabalhou.”

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