“Merda! Prenderam…prenderam ela e o Gabriel!”

“Merda! Prenderam…prenderam ela e o Gabriel!”

PF interceptou telefonemas dos irmãos doleiros Roberto e Marcelo Rezinski, presos na Operação 'Câmbio, desligo', que se mostraram preocupados com a prisão de Fernanda Lima, da Gradual Investimentos, na Operação Encilhamento

Julia Affonso

11 Maio 2018 | 05h15

Os irmãos doleiros Roberto e Marcelo Rezinski, presos na Operação ‘Câmbio, desligo’, caíram no grampo da Polícia Federal. As conversas entre os doleiros e deles com outros interlocutores estão ligadas às prisões de Fernanda Lima e de seu marido Gabriel Paulo Gouvea de Freitas Junior, ambos da Gradual Investimentos, no âmbito de outra operação, a Encilhamento.

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O casal foi capturado pela Polícia Federal no dia 13 de abril por suspeita de envolvimento em esquema de supostas fraudes de R$ 1,3 bilhão contra sistemas de previdência de ao menos 28 municípios em sete Estados. Eles já foram soltos.

A ‘Câmbio, desligo’ foi deflagrada no dia 3 de maio. Os doleiros Vinicius Claret e Cláudio Barboza, delatores da investigação, afirmaram que ‘a atividade dos irmãos (Rezinski) consistia na transferência de dólares para conta no exterior e, em contrapartida, recebiam reais no Brasil’. Segundo os delatores, as operações dos Rezinski totalizaram R$ 12 milhões entre 2011 e 2017.

Roberto e Marcelo foram alvo de interceptações telefônicas que começaram em 10 de abril. Em relatório, a PF destacou cinco ligações. Uma delas ocorreu em 13 de abril, dia em que Fernanda, da Gradual, foi presa. Às 10h17, Roberto ligou para a Gradual Investimentos para tratar de suas ações e conversou com um funcionário da empresa identificado como ‘Rafa’.

“No diálogo Roberto, após saber da prisão de Fernanda de Lima, presidente da empresa e Gabriel Gouvea, diretor de operações financeiras e marido de Fernanda, pede para Rafa ver seu saldo e comenta sobre a prisão do casal. Roberto se mostra preocupado em ter suas ações bloqueadas e diz que tem muito dinheiro investido. Rafa tenta acalmá-lo, mas Roberto pede a ‘carta’ para que ele possa realizar a transferência da custódia de suas ações”, afirma a PF.

No dia 13 de abril, duas conversas de Roberto e Marcelo foram interceptadas. Às 10h29, após falar com a Gradual, Roberto liga para Marcelo.

“Logo após falar com Rafa, Roberto liga para seu irmão Marcelo Rezinski e este orienta como ele deve proceder para retirar seu dinheiro investido em ações da empresa Gradual. Marcelo fala para Roberto entrar no site e fazer o resgate por lá. Roberto tranquiliza Marcelo e diz que teria pouco dinheiro na empresa, cerca de R$ 15 mil. Marcelo o repreende e diz que mesmo assim, ‘é dinheiro’”, relatou a PF.

Em uma segunda ligação, às 10h46, Marcelo liga para Roberto. Durante a conversa, ele diz: “Merda! Prenderam…prenderam ela e o Gabriel!”.

Roberto, então, responde. “Pois é negócio de…de (ininteligível) que coisa esquisita né Marcelo! Ela tava metido nisso Marcelo!”

“Pô! Nem fala! (ininteligível) Roberto!”, diz Marcelo.

Às 11h50, Roberto liga novamente para a Gradual. O doleiro pergunta se uma transferência já havia caído em sua conta.

“Será que vai…vai dar problema (ininteligível)”, diz Roberto.

“Não! Não! Não! Problema nenhum! Pode ficar despreocupado, entendeu?”, afirma o funcionário da Gradual.

Em outro trecho da conversa, o funcionário relata a Roberto que ‘não vai chegar a afetar os clientes não’.

“Que que essa mulher…que que essa mulher foi se meter hein cara!”, diz o doleiro.

“Não sei né cara!”, responde ‘Rafa’.

“Pô! Eles são tão maneiros cara! Gosto tanto deles cara! Porra!”, afirma Roberto.

“Gente boa pra caramba mas…muitas pessoas ao redor ali né! Acaba envolvendo eles…até for colocado tudo em pratos limpos, vai ficar assim por enquanto!”, diz o funcionário.

Menos de uma hora depois, Roberto Rezinski liga novamente para a Gradual e conversa com o mesmo funcionário. Durante um trecho da conversa, o doleiro afirma. “Puta que merda cara! Coitada! Não sei o que…cara! Agora, assim! Eu não acredito que ele tenha se metido em merda cara! Eu acho que foi alguma porra! Eu não tô..não pode ser cara!”

“Cara eu acho que é alguma coisa que…”, responde o funcionário.

“Eu convivi com eles diariamente cara!”, conta Roberto.

“Lembra do fundo que ele tiveram roubo lá que…”, relata ‘Rafa’.

“Lá atrás eu lembro! Eu lembro! Mas daí pra certeza que roubaram cara!”, afirma o doleiro.

“Não! Mas eles acertaram aquele e não fizeram mais nada! É a respeito daquilo ainda né?”, aponta o funcionário da Gradual.

“Meu Deus do céu! Tá bom Rafa ! Valeu cara!”, despede-se Roberto Rezinski.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE MARCELO REZINSKI

A reportagem tentou contato com a defesa. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE ROBERTO REZINSKI

A reportagem tentou contato com a defesa. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, A GRADUAL INVESTIMENTOS

A Gradual esclarece que Marcelo Rezinski e Roberto Rezinski atuaram como agentes autônomos da Corretora. Com experiência em empresas como ICAP e Guide, Marcelo deixou a Gradual em 2015, depois de aproximadamente dois anos de trabalho. Roberto hoje é cliente de ações da Gradual, onde não atua mais como agente autônomo.