‘Mentira deslavada’

‘Mentira deslavada’

Advogado de Lula afirma que a declaração do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro sobre o petista ter ordenado a destruição de provas durante a Lava Jato foi dita pelo empresário diante de exigências do Ministério Público Federal para fechar um acordo de delação premiada

Ricardo Galhardo

20 Abril 2017 | 19h43

O ex-presidente Lula. Foto: Ricardo Nogueira/EFE

O ex-presidente Lula. Foto: Ricardo Nogueira/EFE

O advogado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Cristiano Zanin Martins, disse que a declaração do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro sobre o petista ter ordenado a destruição de provas durante a Lava Jato é uma “mentira deslavada” dita pelo empresário diante de exigências do Ministério Público Federal para fechar um acordo de delação premiada.

“Essa afirmação solta foi feita em um depoimento que ele claramente apresentou uma mentira e uma versão que foi exigida dele pelo Ministério Público como condição para ele fazer um acordo de delação premiada. É uma mentira deslavada”, disse o advogado.

Segundo Zanin, o depoimento do empreiteiro não prejudica “em hipótese nenhuma” as condições de Lula para o interrogatório diante do juiz Sérgio Moro marcado para o dia 3 de maio.

Zanin também minimizou as declarações de Léo Pinheiro sobre o apartamento tríplex atribuído a Lula e sua família no Guarujá.

“O que ele (Pinheiro) disse é que foi dada a propriedade mas não sabe dizer como foi dada nem de que modo. Perguntei se foi dada a chave e ele disse que não. Se foi usado o apartamento, ele disse que não. Ou seja, tudo que pode ser relacionado à posse do imóvel foi negado”, afirmou o advogado.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE LULA

Nota

Léo Pinheiro no lugar de se defender em seu interrogatório, hoje, na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, contou uma versão acordada com o MPF como pressuposto para aceitação de uma delação premiada que poderá tirá-lo da prisão. Ele foi claramente incumbido de criar uma narrativa que sustentasse ser Lula o proprietário do chamado triplex do Guarujá. É a palavra dele contra o depoimento de 73 testemunhas, inclusive funcionários da OAS, negando ser Lula o dono do imóvel.

A versão fabricada de Pinheiro foi a ponto de criar um diálogo – não presenciado por ninguém – no qual Lula teria dado a fantasiosa e absurda orientação de destruição de provas sobre contribuições de campanha, tema que o próprio depoente reconheceu não ser objeto das conversas que mantinha com o ex-Presidente. É uma tese esdrúxula que já foi veiculada até em um e-mail falso encaminhado ao Instituto Lula que, a despeito de ter sido apresentada ao Juízo, não mereceu nenhuma providência.

A afirmação de que o triplex do Guarujá pertenceria a Lula é também incompatível com documentos da empresa, alguns deles assinados por Léo Pinheiro. Em 3/11/2009, houve emissão de debêntures pela OAS, dando em garantia o empreendimento Solaris, incluindo a fração ideal da unidade 164A. Outras operações financeiras foram realizadas dando em garantia essa mesma unidade. Em 2013, o próprio Léo Pinheiro assinou documento para essa finalidade. O que disse o depoente é incompatível com relatórios feitos por diversas empresas de auditoria e com documentos anexados ao processo de recuperação judicial da OAS, que indicam o apartamento como ativo da empresa.

Léo Pinheiro negou ter entregue as chaves do apartamento a Lula ou aos seus familiares. Também reconheceu que o imóvel jamais foi usado pelo ex-Presidente.

Perguntado sobre diversos aspectos dos 3 contratos que foram firmados entre a OAS e a Petrobras e que teriam relação com a suposta entrega do apartamento a Lula, Pinheiro não soube responder. Deixou claro estar ali narrando uma história pré-definida com o MPF e incompatível com a verdade dos fatos.

Cristiano Zanin Martins

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