Meire diz que empreiteiras ‘deviam’ para funcionário de Youssef

Ex-contadora de doleiro afirma que foi procurada por Waldomiro Oliveira após a deflagração da Lava Jato para buscar quantias na OAS e na Sanko Sider

Redação

05 Fevereiro 2015 | 00h11

Por Mateus Coutinho

Em mais um depoimento à Justiça Federal do Paraná, a ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, Meire Poza, afirmou que o ex-funcionário do doleiro, Waldomiro de Oliveira, pediu para que ela buscasse dinheiro das empreiteiras OAS e Sanko Sider em março do ano passado, depois de deflagrada a Lava Jato.

“Nos encontramos logo depois (da operação ser deflagrada) e ele (Waldomiro) me pediu pra ir na Sanko e na OAS porque ele tinha valores para receber nas duas empresas”, afirmou Meire. Ela disse que a Sanko devia cerca de R$ 180 mil a Waldomiro, que é réu nas ações da Lava Jato, e que não se recordava do valor devido pela OAS. A contadora afirmou que Waldomiro pediu para ela procurar o funcionário da “José Ricardo”, que o MPF suspeita ser José Ricardo Breghirolli, um dos réus da Lava Jato.

Meire, contudo, negou que tenha ido buscar as quantias a pedido do funcionário de Youssef. “Não tinha nem lógica para mim ir lá buscar o dinheiro para ele”. Waldomiro Oliveira é acusado de participar do esquema de lavagem do doleiro, e cobrava 14% dos valores dos contratos para emitir notas frias das empresas de Youssef nos contratos de fachada com as empreiteiras. Segundo as investigações, Waldomiro era responsável por controlar várias das empresas de fachada do doleiro que estavam em seu nome.

VEJA O DEPOIMENTO DE MEIRE NESTA QUARTA:

A contadora confirmou, como havia dito à imprensa ao deixar a Justiça Federal em Curitiba, ter visto Youssef levar uma mala de dinheiro para a OAS na capital paulista, mas não soube confirmar qual foi o destinatário. Segundo Meire, em 16 de janeiro de 2014, ela encontrou com o doleiro saindo da GFD: “Ele falou: ‘Eu tô indo levar essa mala aqui atrás lá na OAS’. Aí eu olhei, tinha realmente uma mala em cima do banco. Ele falou: ‘É um dinheiro que eu tô indo levar lá'”. mas afirmou não saber quem era o destinatário. Ela então afirmou que ao saber da mala teria pedido para desembarcar e, depois, reencontrou o doleiro.

OAS. A audiência desta quarta foi relativa a ação penal contra a OAS, que tem seis executivos denunciados na Lava Jato, entre eles o presidente José Aldemário Pinheiro, o Léo Pinheiro. A empreiteira e seus executivos negam irregularidades e pagamentos de propina. Parte dos acusados no processo estão presos desde o dia 14 de novembro de 2014.

Na denúncia, os executivos da OAS, Youssef e seus operadores e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa são acusados por terem praticado 20 atos de corrupção e 14 de lavagem de dinheiro. A empreiteira é acusada pelo MPF de ter pago um total de R$ 29 milhões em propina para corromper Costa e o diretor de Serviços Renato Duque, indicado para o cargo pelo PT.