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Em novo depoimento à PF, marqueteiro do PT responde apenas uma pergunta

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OPERAçãO LAVA JATO

Em novo depoimento à PF, marqueteiro do PT responde apenas uma pergunta

João Santana, responsável pelas campanhas da presidente Dilma (2010 e 2014) e do ex-presidente Lula (2006), quis falar apenas sobre destruição de arquivos e atribuiu ação a funcionário que mora nos Estados Unidos; preso desde dia 23, ele ficou calado no resto do interrogatório

Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

10 Março 2016 | 18h40

O marqueteiro João Santana e Mônica Moura em Curitiba. FOTO:   REUTERS/Rodolfo Buhrer

O marqueteiro João Santana e Mônica Moura em Curitiba. FOTO: REUTERS/Rodolfo Buhrer

O marqueteiro do PT João Santana e sua mulher e sócia, Mônica Moura, foram ouvidos nesta quinta-feira, 10, pela Polícia Federal, em Curitiba. Preso desde 23 de fevereiro, o casal permaneceu calado diante das perguntas feitas por investigadores da Operação Lava Jato, com uma exceção. Santana falou apenas sobre a suspeita de destruição de provas.

O casal de marqueteiros do PT é acusado de lavagem de dinheiro, no recebimento de pelo menos US$ 7,5 milhões em conta secreta no exterior, entre 2012 e 2014. Os valores foram pagos pela empreiteira Odebrecht, via contas no exterior em nome de offshores, e pelo operador de propinas ligado ao estaleiro Keppel Fels Zwi Skornicki.

É a segunda vez que eles prestam depoimentos à PF desde que foram presos pela Operação Lava Jato, no dia 23 de fevereiro, alvos da 23ª fase – batizada de Operação Acarajés.

Santana respondeu uma única pergunta, sobre a suspeita de destruição de uma conta de arquivos no Dropbox. “Santana deseja esclarecer que a referida conta do Dropbox é uma conta de compartilhamento de material de natureza criativa (filmes, etc.) e estratégica (diagnósticos de conjuntura, análise de pesquisa) utilizada por sua empresa Polis para trabalhos relacionados a campanhas eleitorais”, afirmou Santana.

SEGUNDO DEPOI SANTANA

SEGUNDO DEPOI SANTANA 2

Segundo ele, a conta “era um ambiente de colaboração criativa e estratégica mantido” por ele e seus colaboradores, “inclusive de colaboradores de outros países”. O marqueteiro afirmou que a conta Dropbox está vinculada ao seu e-mail, “mas na verdade quem é o administrador dela é um colaborador seu”.

Marcelo Mascarenhas Kertsz seria o responsável. “Era um dos coordenadores de criação em diversas campanhas eleitorais em que o declarante trabalhou”. Santana afirmou que só soube do encerramento dessa conta, após sua prisão na Lava Jato.

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“Marcelo Kertesz, por iniciativa própria, apagou a conta por ocasião da deflagração da 23ª fase da Lavajato”, disse o marqueteiro. Ele declarou não saber o motivo. “Fez por iniciativa própria e provavelmente por um excesso de cautela, e sem nenhum dolo em destruir provas. T talvez Marcelo tenha achado que as informações contidas na conta Dropbox eram sensíveis porquanto envolviam estratégias de campanhas relativas a clientes que são chefe de Estado.”

O marqueteiro afirmou que sabia da investigação envolvendo seu nome e que “não faria sentido apagar a referida conta Dropbox apenas no dia da operação, se de fato houvesse dolo de destruir provas”. O marqueteiro disse que o funcionário mora nos Estados Unidos e que por isso sua defesa teve dificuldade em contata-lo.

Santana ainda autorizou, no depoimento a PF a recuperar os dados da conta Dropobox.

SEGUNDO DEPOI MONICA

 

 

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