‘Marcello, veja o que acha desta minuta’

‘Marcello, veja o que acha desta minuta’

E-mails enviados por funcionárias do escritório Trench, Rossi e Watanabe revelam tratativas do ex-procurador da República Macelo Miller supostamente sobre o acordo de leniência do grupo J&F quando ele ainda exercia cargo no Ministério Público Federal e por isso é investigado por suposto jogo duplo

Rafael Moraes Moura e Breno Pires

12 Setembro 2017 | 05h00

Foto: Reprodução

O escritório de advocacia Trench Rossi Watanabe encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) documentos internos que mostram que Marcello Miller atuou para o grupo J&F antes mesmo de se desligar do cargo de procurador da República, informou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

“Marcello, veja o que acha desta minuta. Depois que vc comentar, mando por email para ele [Francisco Carlos de Assis, delator da JBS]. Se ele estiver de acordo mando em formato de carta na segunda de manha”, afirma a advogada Esther Flesch ao então procurador, no dia 5 de março. Miller, alvo de investigação por suposto jogo duplo em benefício do Grupo, deixou a Procuradoria em abril.

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COM A PALAVRA, TRENCH ROSSI WATANABE

Procurada pela reportagem, o escritório de advocacia Trench Rossi Watanabe informou que ‘está auxiliando as autoridades competentes e continua à disposição das mesmas, a exemplo de como tem se portado ao longo de seus mais de 50 anos de trajetória no mercado brasileiro de serviços jurídicos, sempre pautados pela ética e transparência’. “O escritório está entregando todos os documentos solicitados pela Procuradoria-Geral da República. Reitera ainda e que os profissionais mencionados nas investigações não fazem mais parte de seu quadro de advogados”.

O escritório comunicou que entregou todos os documentos solicitados pela PGR e reiterou que Miller não faz mais parte do quadro de advogados do escritório.

COM A PALAVRA, MILLER

O Broadcast Político não obteve resposta da assessoria de Miller até a publicação deste texto. Em nota enviada à imprensa no último domingo (10), Miller disse que não tinha contato algum com Janot “nem atuação na Operação Lava Jato desde, pelo menos, outubro de 2016”.

“Enquanto procurador, nunca atuou em investigações ou processos relativos ao Grupo J&F, nem buscou dados ou informações nos bancos de dados do Ministério Público Federal sobre essas pessoas e empresas. Pediu exoneração em 23/2/2017, tendo essa informação circulado imediatamente no MPF”, informou o ex-procurador na ocasião.

Miller também disse que “teve uma carreira de quase 20 anos de total retidão e compromisso com o interesse público e as instituições nas quais trabalhou” e que “continua à disposição, como sempre esteve, para prestar qualquer esclarecimento necessário e auxiliar a investigação no restabelecimento da verdade”.

COM A PALAVRA, A ADVOGADA ESTHER FLESCH

Por meio de sua assessoria, a advogada Esther Flesch informou que o documento em questão é ‘uma minuta, como se nota pelos campos em aberto no próprio documento’. “Sua versão final, assinada pelo escritório de advocacia, é bastante diferente.”