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GUARUJá

“Mande prender um cidadão do Ministério Público, que diz que o apartamento é meu”

No depoimento que prestou coercitivamente à Polícia Federal, no dia 4, ex-presidente atacou os promotores do Ministério Público de São Paulo que atribuem a ele a propriedade do tríplex 164-A no Guarujá; para petista, investigação é "sacanagem homérica"

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Julia Affonso, Ricardo Brandt, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

14 Março 2016 | 11h51

Foto: Leo Barrilari/EFE

Foto: Leo Barrilari/EFE

Em depoimento à Polícia Federal, no dia 4 de março, data em que foi conduzido coercitivamente na Operação Lava Jato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reclamou da investigação do Ministério Público de São Paulo que apura o caso tríplex. Os promotores Cássio Conserino, José Carlos Blat e Fernando Henrique Araujo sustentam que o apartamento 164-A, no Condomínio Solaris, no Guarujá, é de Lula. O ex-presidente foi denunciado por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica pelos promotores, que também pediram sua prisão preventiva.

Na parte final do depoimento, o delegado da PF cita o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, ex-presidente da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop). O tríplex que seria de Lula faz parte de uma lista de imóveis da Bancoop, adquiridos pela empreiteira OAS.

“Eu, pessoalmente, presidente, eu estou atrás da verdade pessoalmente. Ouvi todos os colaboradores…”, afirmou o delegado da PF.

“Se você está atrás da verdade, você mande prender um cidadão do Ministério Público, que diz que o apartamento é meu, mande prendê-lo”, disse Lula.

O depoimento prossegue. “Eu ouvi uma grande quantidade de colaboradores e fui ouvir João Vaccari. Quando gostaria de pedir que o João Vaccari me explicasse sobre essas situações ele falou: “Não vou falar nada” E eu respeito isso, de verdade. Eu acho mesmo que o Estado é que tem que provar, eu concordo com isso. Se da parte do senhor, ex­-presidente, falou: “Olha, eu não tinha conhecimento e não acredito que ele tinha”, eu vou respeitar essa posição, não é a tese que, pessoalmente, acredito, mas é a tese que eu vou respeitar”, responde o delegado.

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“Está ótimo. Eu espero que quando terminar isso aqui alguém peça desculpas. Alguém fale: “Desculpa, pelo amor de Deus, foi um engano””, afirmou Lula.

À Polícia Federal, o ex-presidente reclamou ainda da intimação feita à ex-primeira-dama Marisa Leticia. A mulher do petista foi convocada para prestar depoimento no caso tríplex.

“Porque, é o seguinte, eu tenho uma história de vida, eu tenho uma história de vida, a minha mulher com 11 anos de idade já trabalhava de empregada doméstica e minha mulher prestar um depoimento sobre uma porra de um apartamento que não é nosso?! Manda a mulher do procurador vir prestar depoimento, a mãe dele. Por que que vai minha mulher? Por que as pessoas não levam em conta a família que está lá, a molecada frequenta escola”, questionou Lula.

Em outro trecho do depoimento, o petista desabafou.

“Eu acho que eu estou participando do caso mais complicado da história jurídica do Brasil, porque tenho um apartamento que não é meu, eu não paguei, estou querendo receber o dinheiro que eu paguei, um procurador disse que é meu, a revista Veja diz que é meu, a Folha diz que é meu, a Polícia Federal inventa a história do tríplex que foi uma sacanagem homérica, inventa história de triplex, inventa a história de uma off­shore do Panamá que veio pra cá, que tinha vendido o prédio, toda uma história pra tentar me ligar à Lava Jato, toda uma história pra me ligar à Lava Jato, porque foi essa a história do triplex. Ou seja, aí passado alguns dias descobrem que a empresa off­shore, não era dona do triplex, que dizem que é meu, mas era dono do triplex da Globo, era dono do helicóptero da Globo. Aí desaparece o noticiário da empresa de off­shore. A empresária panamenha é solta rapidamente, nem chegou a esquentar o banco da cadeia já foi solta porque não era dona do Solaris que dizem que é do Lula, ela é dona do Solaris que dizem que é do Roberto Marinho, lá em Parati. E desapareceu do noticiário. E eu fico aqui que nem um babaca respondendo coisas de um procurador, sabe, que não deve estar de boa fé, quando pega a revista Veja a pedido de um Deputado do PSDB do Acre e faz uma denúncia. Então eu não posso me conformar. Como cidadão brasileiro, eu não posso me conformar com esse gesto de leviandade.”

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