Maluquice total, ideia de jerico, diz Miguel Reale Jr. sobre novas eleições

Maluquice total, ideia de jerico, diz Miguel Reale Jr. sobre novas eleições

Um dos signatários do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o jurista Miguel Reale Jr chamou de 'divisão do butim' o loteamento de cargos feito pelo governo para atrair apoio: 'estamos assistindo um filminho de faroeste'

Julia Affonso

08 Abril 2016 | 13h21

Miguel Reale Jr. Foto: Felipe Lampe/Divulgação

Miguel Reale Jr. Foto: Felipe Lampe/Divulgação

Um dos signatários do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff que foi acolhido pela Câmara dos Deputados, o jurista Miguel Reale Jr., afirmou nesta sexta-feira, 8, em São Paulo, que a possibilidade de se ter novas eleições é ‘maluquice total, ideia de jerico’. Reale Jr faz palestra “Dilemas Brasileiros” na reunião-almoço mensal do Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP).

“Maluquice, maluquice. Que se tenha um semi-presidencialismo informal pode ser, mas sem reforma constitucional. O Brasil não está no instante para ficar parado fazendo reforma. Imagine o Brasil parado fazendo reforma, parado em um processo eleitoral integral. Quem é que governa, que é que conduz esse país? O pais derretendo. É maluquice total, idéia de jerico”, afirmou Reale Jr.

O jurista anotou. “Se não todos deveriam renunciar a seus mandatos, governadores, deputados. Para que nova eleição? Vem o (senador) Renan Calheiros (PMDB-AL) dizendo que é favorável à isso. Ele é favorável à isso ontem eu quero saber se ele é favorável ao que amanhã? A cada dia ele muda.”

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A Rede Sustentabilidade, da ex-presidenciável Marina Silva, lançou na terça-feira, 5, a campanha “Nem Dilma, Nem Temer, Nova Eleição é a Solução”. PPL e PSB também assinam petição e querem contribuir com denúncias sobre as eleições presidenciais. Aliado do vice-presidente Michel Temer, o senador Valdir Raupp (PMDB-RO) foi outro que também defendeu a realização de novas eleições presidenciais em outubro deste ano. Pela proposta, o pleito ocorreria simultaneamente com as eleições municipais.

Reale Jr chamou de ‘divisão do butim’ a troca de cargos que o governo tem feito para atrair o apoio das alas partidárias que ainda resistem à aderir ao desembarque.

“Eu creio que nós estamos assistindo um filminho de faroeste em que se corta a nota de dólar no meio e se entrega a outra metade depois da votação. Mas parece que o vento não está favorável à essa divisão do butim. Cada vez mais se acentua a compreensão da necessidade de tirar a Dilma e salvar o Brasil.”

O jurista também se manifestou sobre a delação premiada de executivos da empreiteira Andrade Gutierrez. Segundo o acordo, propina da Petrobrás teria sido transferida como doação legal à campanha eleitoral de Dilma, em 2014. A delação aponta ainda propina de R$ 150 milhões ao PT e ao PMDB sobre contratos da Usina de Belo Monte.

“Isso não é motivo para impeachment, isso é a chapa. E o processo que está tramitando no TSE vai demorar. Hoje mesmo dizem que esse processo só vai ter fim em 2017. Nem começou a instrução ainda. O Brasil não pode esperar até 2017”, disse.

Miguel Reale Jr ainda se posicionou sobre o impeachment da presidente Dilma. “Não é mais nem o caso de partido. Lógico que teve partido que decidiu votar a favor do impeachment de forma fechada, como por exemplo, o PV, o PSB. Agora a questão é pessoal. O deputado sabe que vai estar sendo transmitido pela TV a votação em aberto e ele pode escolher entre o bolso e a honra.”

 

 

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