Lula pergunta a Moro se ele é imparcial e reclama de condenação

Juiz da Lava Jato responde que sim e ex-presidente sugere ele foi 'parcial' ao condená-lo a 9 anos e 6 meses de prisão no caso triplex; magistrado advertiu petista para não usar audiência como 'palanque'

Fausto Macedo, Julia Affonso e Ricardo Brandt

13 Setembro 2017 | 19h12

“Eu vou chegar em casa amanhã e vou almoçar com oito netos e uma bisneta de seis meses. Eu posso olhar na cara nos meus filhos e dizer que eu vim para Curitiba prestar depoimento a um juiz imparcial?” Com essa pergunta ao juiz federal Sérgio Moro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou seu segundo interrogatório como réu da Lava Jato, em Curitiba.

+ VEJAS OS VÍDEOS DO DEPOIMENTO DE LULA

Lula foi ouvido por cerca de duas horas e meia por Moro, em processo em que é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, pelo acerto de R$ 12 milhões em propinas da Odebrecht, de forma dissimulada no repasse de um terreno para o Instituto Lula e um apartamento em São Bernardo do Campo.


“Bem, primeiro, não cabe ao senhor fazer esse tipo de pergunta a mim, mas sim”, respondeu Moro.

Lula rebate: “Porque não foi o procedimento na outra ação”. Lula foi condenado em julho a 9 anos e 6 meses de prisão por Moro – que recorre em liberdade – por receber propinas da OAS no caso tríplex do Guarujá (SP).

“Não vou discutir a outra ação aqui com o senhor, senhor ex-presidente, se fossemos discutir aqui, a minha convicção é que o senhor é culpado”, interrompeu Moro.

O juiz disse ainda que Lula estava discutindo o processo no Tribunal Regional Federal da 4ª Região. “Represente a suas razões no tribual, se a gente fosse discutir aqui, não seria bom para ao senhor.”

Lula insiste e diz que vai “contiuar esperando que justiça faça justiça nesse País”. Moro interrompe a audiência.

Palanque. Em audiência mais curta que a primeira, em 10 de maio, no caso triplex, que durou 5 horas, Lula foi questionado ao final por Moro se ele gostaria de falar mais alguma coisa.

“Eu gostaria”, responde Lula.

“Só assim, senhor presidente, não é momento de campanha, não é momento de discursos, é para falar sobre o objeto da adusação, se for o caso, certo?”, advertiu Moro, aos 3min do vídeo.

Lula na chegada à Justiça, em Curitiba. / AFP PHOTO / Heuler Andrey

 

O ex-presidente diz que toda vez que sai – Lula só foi interrogado como réu por Moro no dia 10 de maio, antes de hoje – vê pessoas “fazendo campanha contra ele”. E sugere ao juiz para não usar a palavra “denegrir”, que teria sido usada por ele.

O juiz da Lava Jato mais uma vez advertiu Lula: “Senhor ex-presidente, não é para campanha, nem aqui para fazer declarações, o que o senhor quer falar sobre o objeto da denúncia?”.

Palocci. Em uma audiência com ataques duros ao Ministério Público Federal, Lula disse que é vítima de uma “caça às bruxas” e minimizou as revelações do ex-ministro Antonio Palocci. O petista confessou nesse processo, na quinta-feira, 6, que participou do esquema de repasse de propinas da Odebrecht para Lula e citou um “pacto de sangue” de R$ 300 milhões para o ex-presidente e para o PT

Segundo Lula, ele tem tido paciência. “Muita gente achou que eu ia chegar aqui com muita raiva do Palocci. Eu achei que Palocci está preso há mais de um ano, o Palocci tem o direito de querer ser livre, tem o direito de ficar com o pouco de dinheiro que ele ganhou fazendo palestras.”

O ex-presidente disse que “o que não pode, é se você não quer assumir as responsabilidades pelos atos ilícitos que você fez, não jogue em cima dos outros”.

“Eu fiquei muito preocupado com na delação do Pallocci, porque ele podreia ter falado eu fiz isso de errado, e fiz isso. Ele espertamente disse ‘não é que eu sou santo e pau no Lula.”

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