Lula pediu caixa dois para Haddad, dizem delatores

Lula pediu caixa dois para Haddad, dizem delatores

Repasses teriam sido feitos ao marqueteiro João Santana, que trabalhou na campanha

Breno Pires e Fábio Fabrini, de Brasília

11 Abril 2017 | 21h14

Haddad e Lula. Foto: AMANDA PEROBELLI/ESTADAO

Haddad e Lula. Foto: AMANDA PEROBELLI/ESTADAO

O ministro Luiz Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o envio, à Justiça Federal e ao Ministério Público Federal em São Paulo, de trechos de delações premiadas da Odebrecht que citam pagamentos de caixa dois à campanha de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo, em 2012.

Documento

Conforme documento remetido pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao ministro, os pagamentos não contabilizados teriam sido acertados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros integrantes do PT com Marcelo Odebrecht, herdeiro do grupo, o pai dele, Emílio, e o ex-diretor de Relações Internacionais Alexandrino de Alencar. Os repasses, então, teriam sido feitos ao marqueteiro João Santana, que trabalhou na campanha.

Os colaboradores afirmaram que a empreiteira buscava, como contrapartidas, a concessão de Certificado de Incentivo Desenvolvimento (CID) e a aprovação de medidas legislativas favoráveis aos seus interesses.

Fachin tirou o sigilo dos autos, autorizou a remessa do material para a Justiça Federal em São Paulo e a Procuradoria da República no Estado. Caberá às autoridades locais decidir sobre a abertura de investigação sobre o caso.

O ministro do STF também liberou a anexação dos depoimentos dos delatores e de toda a documentação apresentada por eles ao inquérito, em curso no Supremo, para apurar a existência de uma organização criminosa para o desvio de recursos públicos.

COM A PALAVRA, FERNANDO HADDAD

O ex-prefeito Fernando Haddad (PT) afirmou que “nunca soube que Lula tivesse tratado de arrecadação de recursos” para sua campanha. Ele afirmou que contrariou os dois principais interesses da empreiteira na cidade durante seu governo. O primeiro foi a paralisação da obra do túnel Roberto Marinho, na zona sul. Era começo de sua gestão.

Além disso, afirmou ter se recusado a enviar para a Câmara Municipal um projeto de lei que a empreiteira e o deputado federal Andrés Sanches (PT-SP) defendiam para permitir à Prefeitura a recompra dos Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento (CIDs). Os certificados haviam sido emitidos para permitir a construção da Arena Corinthians e, sob investigação do Ministério Público Estadual (MPE), haviam se tornado um mico financeiro. Daí o interesse da empreieteira em quer a prefeitura os recomprasse.

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