Lula não vai!

Lula não vai!

Apesar de 'orientações técnicas' de advogados, que preferem a batalha nos tribunais, ex-presidente decidiu permanecer no lendário sindicato da rua João Basso onde comandou as greves dos anos 1970 das montadoras e despontou para a política, até o horário estipulado pelo juiz Sérgio Moro para se entregar na PF de Curitiba, 17h desta sexta-feira; 'que venham me pegar'

Daniel Weterman, Luiz Vassallo, Luiz Fernando Teixeira e Fausto Macedo

06 Abril 2018 | 16h47

Lula. Foto: Bruna Prado/AP

Lula não vai se entregar, pelo menos até o horário imposto pelo juiz Sergio Moro – 17h desta sexta-feira, 6.

Ele decidiu permanecer em seu antigo reduto, o lendário Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, construção que se ergue à Rua João Basso, em São Bernardo do Campo. Ali comandou as greves históricas do final dos anos 1970 nas montadoras, depois criou o PT e chegou à Presidência. ‘Que venham me pegar!’, disse a aliados, em recado à Polícia Federal e ao juiz Sérgio Moro.

Mesmo orientado por advogados que o cercam, o petista se mantém irredutível. Ele não sai do sindicato!

Às 17 horas desta sexta-feira, 6, esgota-se inapelavelmente o prazo do líder petista para se entregar à Polícia Federal de Curitiba, dado pelo juiz Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, que o condenou a 12 anos e um mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo do triplex do Guarujá.

Agentes que conversam com a imprensa na Polícia Federal em Curitiba dizem que não é possível considerar o ex-presidente Lula como “foragido”. Eles dizem que ainda é possível negociar uma entrega de Lula com a defesa e que o não comparecimento de um réu no prazo estipulado pelo juiz configura uma situação “delicada”, mas que faz parte da realidade criminal do País.

Lula não vai porque não admite ter cometido ilícitos. Ele insiste na tese de que é inocente, reafirma que não é o dono do triplex e que não nomeou dirigentes da Petrobrás que instalaram esquema de propinas e cartel na estatal.

Lula também não reconhece a legitimidade da ‘República de Curitiba’, como ele denomina a força -tarefa da Operação Lava Jato.