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Lula diz que ‘acha até que empreiteira da Lava Jato’ construiu prédio sede da Procuradoria

Por Fausto Macedo, Julia Affonso, Fábio Fabrini e Ricardo Brandt

17/03/2016, 04h30

   

Ex-presidente caiu no grampo pedindo a advogado de Brasília que diga a Rodrigo Janot para 'tomar conta das coisas que ganhou' na Presidência

Sede da PGR, em Brasília.

Sede da PGR, em Brasília.

Em conversa com o advogado Sigmaringa Seixas, seu amigo, o ex-presidente Lula disse que ‘acha até’ que o prédio sede da Procuradoria-Geral da República em Brasília foi construído por empreiteira alvo da Operação Lava Jato.

Lula está irritado com o fato de que o Ministério Público Federal abriu investigação sobre os presentes que ganhou nos oito anos em que ocupou o Palácio do Planalto (2003/2010). Ele pede ao advogado que fale com Rodrigo Janot, procurador-geral da República.

“Como ele (Janot) aceitou pedido de um cara de Manaus prá investigar as coisas que eu ganhei pergunta prá ele se o Ministério Público tiver um lugar eu mando tudo prá lá, prá eles tomarem conta. Porque eu não tenho nenhum interesse de ficar com isso. Eu tinha interesse se eu pudesse fazer um museu aqui em São Paulo, mas o Ministério Público entrou com um processo prá vetar a doação do terreno que já tinha sido aprovada pela Câmara, certo? Então, eu tô com um monte de coisa que se eles (Janot) tiverem lugar eu mando prá eles tomarem conta.”

Lula prosseguiu. “Eu não tenho como (guardar os presentes), favelado não pode me dar dinheiro para guardar aquilo, os sindicatos não podem dar, quem pode são os empresários, eles estão criminalizando os empresários. A Dilma devia fazer Medida Provisória me dando dinheiro, mas não vai dar.”

No grampo, o ex-presidente Lula levanta suspeita sobre a construção do prédio sede da Procuradoria-Geral da República, uma construção envidraçada que se destaca na paisagem de Brasília. “Em vez de ocupar aquela sede deles, aquela quantidade de vidros fumê acho até que foi uma empresa da Lava Jato que fez aquela sede. É, deve ser. Era até bom fazer um levantamento prá saber quais foram as empresas que fizeram aquilo lá, sabe, que a gente vai provar que foi tudo da Lava Jato. Eu vou até saber quem foi.”
“Eu vou mandar ver”, diz o advogado.

“Mas eu queria que falasse com o Janot, falasse com o Aragão”, insistiu Lula, referindo-se ao novo ministro da Justiça Eugênio Aragão.

“Ele tá fora do País”, informa Sigmaringa.

“Esses caras viajam pra caralho, heim”, diz Lula.

“Ele volta quinta-feira”, diz o advogado.

Lula disse. “Quanto é a diária desses caras? Se fosse do executivo eles não viajavam. Manda ver. Eu queria que você falasse com o Janot e falasse ‘ele não quer mais as coisas’. Porque amanhã a Polícia Federal vai abrir 400 caixas que estão no sindicato. O sindicato já avisou que se tirar de lá não aceita mais de volta. Então ele (Janot) tem que saber o que fazer.”

Lula cita a ministra do Supremo Tribunal Federal relatora da Ação Civil Originária movida pela defesa do petista para tentar barrar as investigações do Ministério Público de São Paulo e pelo Ministério Público Federal sobre o sítio Santa Bárbara, de Atibaia, e o tríplex 164/A do Condomínio Solaris, no Guarujá, ambos os imóveis atribuídos a Lula.

“E a nossa Rosa Weber, quando ela vai decidir alguma coisa?”, perguntou o ex-presidente.

“Você tá fudido meu advogado …teu telefone deve tá grampeado”, prosseguiu Lula.

O advogado diz que ‘devia estar grampeado aquele telefone daquele procurador que ficou recebendo diárias indevidas’.

“Qual foi?”, perguntou o ex-presidente.

“Me disse gente da Procuradoria, pode até não ser verdade. Ele é do Paraná, está nessa Lava Jato recebendo diárias.”

“Porra, ficaram cinco dias lá em Atibaia interrogando o irmão do Maradona, o Maradona”, queixou-se Lula, referindo-se ao caseiro do sítio Santa Bárbara, que o petista afirma não ser seu.

Lula encerra a conversa. “Querido, é o seguinte ó, ó eu acho que nós só temos um jeito: navegar é preciso, meu filho. Eu acho que tem que me utilizar prá saber o que tem que ser feito nesse País, conversar com a sociedade porque não é possível todo dia a gente ficar vendo a construção de uma mentira, um negócio maluco, e a capacidade de reação é muito pequena.”

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