Lula diz a Moro que pode entregar recibo de aluguel sob suspeita da Lava Jato

Lula diz a Moro que pode entregar recibo de aluguel sob suspeita da Lava Jato

Em interrogatório, ex-presidente afirmou que pode mandar comprovantes ao juiz federal e à Procuradoria da República

Julia Affonso, Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, e Luiz Vassallo

14 Setembro 2017 | 05h00

Lula. Foto: Reprodução

O ex-presidente Lula afirmou nesta quarta-feira, 13, que o recibo de pagamento do aluguel do apartamento 121, do residencial Hill House, em São Bernardo do Campo, ‘pode ser pego e enviado’ ao juiz federal Sérgio Moro e ao Ministério Público Federal na Operação Lava Jato. O petista prestou depoimento por mais de duas horas em ação sobre supostas propinas da Odebrecht ao ex-presidente.

O apartamento 121 é vizinho ao que mora Lula. A Lava Jato afirma que não houve pagamento de aluguel entre fevereiro de 2011 e pelo menos novembro de 2015.

Segundo a denúncia, parte das propinas destinadas a Glaucos da Costamarques, parente do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula, por sua atuação na compra do terreno para o Instituto Lula foi repassada para o ex-presidente na forma da aquisição da cobertura contígua à sua residência em São Bernardo.


A Lava Jato afirma que R$ 504 mil foram usados para comprar o apartamento vizinho à cobertura do ex-presidente. A nova cobertura, que foi utilizada pelo ex-presidente, foi adquirida no nome de Glaucos da Costamarques, em transação que teria sido concebida por Roberto Teixeira.

Segundo a Procuradoria da República, no Paraná, ‘na tentativa de dissimular a real propriedade do apartamento, Marisa Letícia Lula da Silva chegou a assinar contrato fictício de locação com Glaucos da Costamarques, datado de fevereiro de 2011, mas as investigações concluíram que nunca houve o pagamento do aluguel até pelo menos novembro de 2015’.

Durante o interrogatório, o Ministério Público Federal afirmou que, nas respostas escritas da ação penal, Lula disse que o pagamento do aluguel do apartamento 121 era realizado com emissão de recibos.

“Era o que eu tinha conhecimento”, disse o ex-presidente.

“O sr disse isso sem ter os recibos à vista?”, questionou a Procuradoria da República.

“Veja, se havia declaração no Imposto de Renda do Glaucos e havia declaração de imposto de renda na minha contribuição, tinha que ter um recebido de pagamento para declarar. Tá?”, afirmou o petista.

“O sr afirmou existir esses recibos quando prestou declarações escritas na investigação”, disse a procuradora Isabel Groba.

“Deve ter o recibo, sim”, declarou o ex-presidente.

“O sr informou isso sem estar com os recibos a sua vista?”, insistiu a procuradora.

“Deve ter o recibo, o recibo não fica comigo. Mas isso pode ser pego e enviado se é pro Moro ou pra senhora”, respondeu Lula.

“O sr não achou relevante juntar esses recibos?”, rebateu o Ministério Público Federal.

“Não, não porque eu sempre tive (inaudível) pagar aluguel”, disse Lula.

Neste momento, o advogado Cristiano Zanin Martins, que defende Lula, interrompeu a resposta. “Se Vossa Excelência quiser questionar a defesa em relação ao papel da defesa, estou aqui para esclarecer. Agora me parece um pouco inapropriado o Ministério Público pretender questionar aquilo que está a cargo da defesa.”

Moro manteve o questionamento do Ministério Público Federal. “Pergunta relevante.”

“Então, a defesa técnica orienta que o depoente não responda porque as questões da defesa técnica quem responde é a defesa técnica”, disse Zanin.

A procuradora retornou. “O sr não achou relevante juntar esses recibos nos autos?”

“Mais uma vez a defesa técnica orienta que não responda, porque isso já foi esclarecido”, reagiu Zanin.

“Preciso, então, que o depoente diga se não vai responder”, disse a procuradora.

“Isso já foi esclarecido”, insistiu Zanin.

“Então, não vou responder, Dra, porque eu já falei três vezes e a sra repete a mesma pergunta”, afirmou Lula taxativamente.

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