Lucio Funaro era operador de propinas de Eduardo Cunha, diz força-tarefa

Lucio Funaro era operador de propinas de Eduardo Cunha, diz força-tarefa

Pelo menos três dos oito carros de luxo da família Cunha bloqueados pelo juiz Sérgio Moro, em decreto de prisão do presidente cassado da Câmara dos Deputados, foram pago por empresas de lobista ligado ao PMDB

Fausto Macedo, Julia Affonso, Mateus Coutinho e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

20 Outubro 2016 | 05h17

BRA100. BRASILIA (BRASIL), 19/10/2016.- El expresidente de la Cámara Baja de Brasil Eduardo Cunha (d) se dirige, luego de ser detenido, hacia un avión de la Policía Federal, rumbo a la ciudad de Curitiba donde quedará preso hoy, miércoles 19 de octubre de 2016, en Brasilia (Brasil). La orden de captura fue dictada por el juez Sergio Moro, a cargo de la investigación en Petrobras, quien además determinó que sean bloqueadas cuentas bancarias en las que el exdiputado mantenía unos depósitos por 220 millones de reales (casi 70 millones de dólares), una fortuna que ahora deberá justificar ante la justicia. EFE/ Cadu Gomes

Eduardo Cunha, preso pela PF, acusado de corrupção pela Lava Jato / EFE/ Cadu Gomes

 

Uma Land Rover modelo Freelander, de R$ 100 mil, um Hyundai Tucson, de R$ 80 mil, um Volkswagem Tiguan, de R$ 110 mil, veículos que integram a frota de 8 carros de luxo da família do ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foram comprados pelo lobista e operador de propinas Lúcio Bolonha Funaro. Os carros foram bloqueados nesta quarta-feira, 19, pelo juiz federal Sérgio Moro, que mandou prender o presidente cassado da Câmara dos Deputados, acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas em processo da Operação Lava Jato.

“Lucio Bolonha Funaro era operador de propinas de Eduardo Cunha”, afirmam os procuradores da força-tarefa da Lava Jato. O Ministério Público Federal suspeita que a frota de veículos de Cunha, da mulher Claudia Cruz e de uma filha – que inclui ainda dois porsches – tenha sido comprada com dinheiro de propinas desviadas da Petrobrás.

PEDIDO PRISÃO DE EDUARDO CUNHA   PDF

Cunha foi preso ontem, em Brasília, preventivamente – sem prezo para acabar. O pedido integra ação penal em que o peemedebista é réu por corrupção de R$ 10 milhões em negócio da Petrobrás, de 2011, de compra dos direitos de exploração de poços de petróleo em Benin, na África. O ex-deputado teria recebido o equivalente a US$ 1,5 milhão, já identificados, dessa propina em conta secreta na Suíça.

“Rastreado documentalmente fluxo financeiro que revela que o preço inicial de aquisição, de USD 34,5 milhões, foi pago da Petrobrás para a empresa vendedora, controlada por Idalécio de Castro Rodrigues de Oliveira, com transferência posterior de USD 10 milhões para conta secreta controlada pelo acusado intermediador João Augusto Rezende Henriques”, sustenta do MPF. O intermediador é acusado de ser operador de propinas do PMDB e está preso desde agosto de 2015, em Curitiba.

Foi da conta Acona, de João Henriques, que saíram os cerca de 1.311.700,00 francos suíços (cerca de USD 1,5 milhão) rastreados para contas secretas controladas pelo então deputado federal Eduardo Cunha.

CARROS FUNARO MPF 2

Funaro. Pelo menos três dos carros do senhor e senhora Cunha foram comprados em nome de uma empresa da família e no nome da filha, mas pagos pelas firmas Cingular Fomento Mercantil, Araguaia Comercializadora de Energia Elétrica e Royster SA Gestão de Patrimônio Pessoal e Serviços, que pertencem a Funaro – que já foi preso por corrupção em investimentos de fundos de pensão federal e alvo do mensalão.

“Restou claro que os automóveis da família do ex-deputado federal foram adquiridos com valores provenientes de crimes cometidos por Eduardo Cunha, que eram acautelados por Lúcio Bolonha Funaro”, escreve a força-tarefa no pedido de prisão.

“Não há qualquer atividade lícita que justifique a referida transferência, pois Eduardo Cunha e Lucio Funaro nunca tiveram qualquer relação comercial lícita. Ambos, publicamente, já declaram não possuir qualquer relação comercial.”

Cunha foi cassado em 12 de setembro pelo plenário da Câmara dos Deputados por quebra de decoro parlamentar. Sem mandato, a ação penal aberta no Supremo Tribunal Federal (STF), que continha pedido de prisão feito pela Procuradoria-Geral da República foi enviada à Moro.

O juiz considerou a “cassação não suprimiu os riscos que ensejam a prisão, até porque o ex-deputado agiu por intermédio de terceiros, inclusive agentes que não são parlamentares”.

CARROS FUNARO MPF

CARROS FUNARO MPF 2

 

 

CARROS FUNARO MPF 3

Busca. No pedido de prisão da força-tarefa da Lava Jato, em Curitiba, ratificando medida cautelar requerida em março pela Procuradoria Geral da República (PGR), quando Cunha ainda tinha foro privilegiado, os 13 procuradores solicitaram autorização de Moro para fazer busca e apreensão no endereço do peemedebista e dos veículos mantidos ali.

“Diante de indícios de que teriam sido adquiridos com recursos do suposto operador de propina Lúcio Bolonha”, ressaltou Moro. O juiz considerou, no entanto, que as buscas no endereço de Cunha foram realizadas já por autorização do Supremo Tribunal Federal, “não indicando o MPF motivo suficiente para nova busca no momento”.

“Quanto aos veículos, resolvo deferir por ora somente o bloqueio de sua transferência junto ao DETRAN/RJ, o que deve ser suficiente para, por ora, evitar a sua dissipação. Oportunamente, decidirei sobre a necessidade de busca e apreensão dos veículos. Assim, expeça a Secretaria ofício solicitando o bloqueio dos veículos discriminados na
petição do MPF, que deve ser entregue pela Polícia Federal no DETRAN/RJ”, escreveu Moro.

No pedido do MPF, estão listados os oito veículos do casal Cunha. Registrados em nome da empresa C3 Produções Artísticas e Jornalisticas, uma LR / Freelander, modelo, uma Hyundai Tucson, 2009, em nome da filha Danielle Dytz da Cunha Doctrovich, uma Tiguan Volkwagem, 2011, em nome da Jesus.Com (Antiga C3 Atividades de Internet, um Passat Volkswagem, 2004, um Porsche Cayenne 2006, no valor de R$ 310 mil, um Ford Edge, de R$ 122 mil, um Ford Fusion 2013,. de R$ 143 mil e um Porsche Cayenne 2013, de R$ 375 mil.
NOTA LAND ROVER

CHEQUE CINGULAR NOME LUCIO

LUCIO CINGULAR

 

A Lava Jato chegou aos pagamentos relacionados a Funaro, identificando a loja onde foram comprados os veículos em São Paulo. Um deles, foi pago pela Dallas Agentes Investimento, que segundo a força-tarefa pertence “a Eduardo Mantagna de Assumpção, ex-empregado da Centrais Elétricas Belém (Cebel)”.

Foi essa empresa, segundo a Lava Jato, que levou à disputa entre Lúcio Funaro e o Grupo Schahin. “Tendo dado origem aos requerimentos formulados por Eduardo Cunha por intermédio de deputados ‘laranjas’ contra o Grupo Schahin na Câmara dos Deputados por solicitação de Funaro”, informa o MPF.

O episódio é considerado uma das evidências de que Cunha usava seu poder de parlamentar para intimidar e pressionar empresas e autoridades para seus propósitos.

Os procuradores da República em Curitiba sustentaram ao juiz Moro que a liberdade do ex-parlamentar ‘representava risco à instrução do processo, à ordem pública, como também a possibilidade concreta de fuga em virtude da disponibilidade de recursos ocultos no exterior, além da dupla nacionalidade (Cunha é italiano e brasileiro)’.

NOTA TUCSON

NOTA TIGUAN

CHEQUE ROYSTER

CHEQUE ARAGUAIA 100

“Há elementos que apontam que durante todo o seu período de vida pública Eduardo Cosentino da Cunha utilizou-se do cargo para obter vantagens indevidas com a finalidade de possibilitar uma vida de gastos vultuosos para o deputado federal e para a sua família”, registra o pedido de prisão apontando ainda que, durante todo o período em que foi investigado, o peemedebista “não poupou esforços para embaraçar as investigações”.

Embaraço. Um dos elementos que pesou no decreto de prisão de Moro foi o fato de os investigadores terem reunidos pelo menos 10 evidências de que Cunha teria tentado atrapalhar as investigações da Lava Jato. São tentativas de intimidar terceiros fazendo uso do mandato parlamentar, afronta às apurações no Congresso e na Justiça Criminal, que abrangem o período dos crimes praticados na Petrobrás, durante as apurações da Lava Jato e no processo de cassação.

Como exemplo, os procuradores da força-tarefa listaram o uso de requerimentos no Tribunal de Contas da União (TCU) e Câmara dos Deputados para pressionar a empresa japonesa Mitsui a pagar propinas, tentativas de intimidação contra a advogada Beatriz Catta Preta, que atuou como defensora de delatores, manobras para encerrar os trabalhos do Conselho de Ética no processo de cassação de seu mandato, ameaças relatadas pelo ex-relator do Conselho de Ética, Fausto Pinato (PRB-SP) e até suposta oferta de propina.

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