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Lobista preso na Zelotes confronta procurador: “é bom saber quem me acusa”

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Lobista preso na Zelotes confronta procurador: “é bom saber quem me acusa”

A 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília começou a ouvir nesta manhã o depoimento de testemunhas e informantes em ação penal sobre a "compra" de medidas provisórias no governo, caso investigado num desdobramento da Operação Zelotes

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Fabio Fabrini, Andreza Matais e Beatriz Bulla

25 Janeiro 2016 | 14h02

O lobista Alexandre Paes dos Santos, conhecido como APS, em depoimento à CPI do Carf em outubro de 2015 . Foto: Geraldo Magela/Senado

O lobista Alexandre Paes dos Santos, conhecido como APS, em depoimento à CPI do Carf em outubro de 2015 . Foto: Geraldo Magela/Senado

Dois dos réus presos pelo envolvimento no esquema de “compra” de medidas provisórias confrontaram o procurador da República Frederico Paiva ao deixarem sala de audiências na Justiça Federal em Brasília, na manhã desta segunda-feira, 26. Os lobistas Alexandre Paes dos Santos, conhecido como ‘APS’, e Mauro Marcondes, presos desde outubro, deixavam a sala sem qualquer escolta quando se depararam com o procurador, que conversava com jornalistas.

Com semblante fechado, APS encarou o representante do Ministério Público diretamente e parou para ouvir a entrevista. Desconfortável ao ver os réus, o procurador comentou: “Vamos ter plateia?”.

O lobista perguntou: “A defesa pode dar entrevista?”. “Pode, pode fazer as perguntas”, respondeu Frederico Paiva. “Eu só conhecia o senhor pela denúncia. Eu não sabia quem era o senhor. Só tinha visto no processo seu nome e nunca tinha visto o senhor”, disse o lobista. “E gostou?”, rebateu o procurador. “É bom saber quem me acusa, né?”, disse APS. “Eu não acuso, eu sou Ministério Público, eu sou um servidor público. Represento uma instituição”, disse Frederico. Os dois réus foram embora juntos, sem escolta policial para deixarem a sala.

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Os réus acompanham os depoimentos sem uso de algemas, por decisão do juiz Vallisney Oliveira, que conduz o caso na 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília. O magistrado também definiu que não são os agentes penitenciários que acompanham os presos dentro da sala, o que importaria na escolta de dois agentes armados para cada preso. No caso, quem faz a segurança da sala são integrantes da Polícia Federal. Segundo pessoas que trabalham na Corte, o juiz costuma usar essas medidas mais rigorosas apenas quando os réus são acusados de crimes de tráfico e roubo.

Outro encontro inusitado das audiências nesta manhã foi o do procurador com o ex-ministro chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República Gilberto Carvalho. Sem reconhecer o ex-ministro, que aguardava o momento de seu depoimento na antessala do juiz, Frederico Paiva questionou: “o senhor trabalha aqui?”. Depois de apresentados, procurador e ex-ministro se cumprimentaram.

A 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília começou a ouvir nesta manhã o depoimento de testemunhas e informantes em ação penal sobre a “compra” de medidas provisórias no governo, caso investigado num desdobramento da Operação Zelotes. Estão previstos os depoimentos de ao menos 16 pessoas nesta segunda-feira, indicadas pelas defesas dos réus. Entre os presentes estão o ex-chefe de gabinete do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva Gilberto Carvalho e o atual secretário executivo do Ministério da Fazenda, Dyogo Oliveira. Os depoimentos foram suspensos e serão retomados a partir do período da tarde.

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