Livre na Lava Jato, Youssef pega cinco anos por desvios de R$ 15 mi em Maringá

Livre na Lava Jato, Youssef pega cinco anos por desvios de R$ 15 mi em Maringá

Doleiro beneficiado pela delação premiada foi acusado de 'apropriação de bens ou rendas públicas em proveito próprio ou alheio' da prefeitura do município do interior do Paraná, entre 1993 e 1996, revelou o site Maringá Post

Julia Affonso e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

06 Outubro 2017 | 19h10

Doleiro Alberto Youssef ‘modernizou’ métodos de lavagem de dinheiro, segundo a Lava Jato. Foto: Vagner Rosario/Futura Press

Livre na Operação Lava Jato – alívio que conseguiu por fazer delação premiada -, o emblemático Alberto Youssef, doleiro, foi condenado pelo juiz Joaquim Pereira Alves, da 3.ª Vara Criminal de Maringá, por envolvimento em supostos desvios na Prefeitura da cidade do interior do Paraná. Youssef pegou 5 anos, 1 mês e 20 dias por ‘apropriar-se de bens ou rendas públicas, ou desviá-los em proveito próprio ou alheio’ (violação reiterada 25 vezes ao artigo 1º, inciso I, do Decreto Lei nº 201 de 1967). A condenação foi revelada pelo site Maringá Post.

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Nesta ação, Youssef teve extinta a punibilidade pelo crime de associação criminosa.


Antes de ser capturado pela Lava Jato, Youssef foi detido três vezes, envolvido em esquemas de desvios na administração estadual e municipal entre 2000 e 2003.

No ano seguinte, o doleiro foi capturado no primeiro grande escândalo de corrupção, como um dos operadores das contas CC5 (de não residentes), usadas para remessa ilegal de mais de R$ 30 bilhões ao exterior, na década de 1990, por meio do antigo Banco do Estado do Paraná, o Banestado.

Em 2005, ele fechou um dos primeiros acordos de colaboração da Justiça brasileira, como o Ministério Público Federal de Curitiba, homologado pelo, até então, desconhecido juiz Sérgio Moro. Dos sete anos que pegou, cumpriu 1 e meio.

Voltou às ruas e ao crime. Foi preso em 2014 pela Lava Jato e perdeu os benefícios da delação no caso Banestado. Seis meses depois, fechou novo acordo, desta vez com a força-tarefa da Lava Jato.

Neste processo, o Ministério Público do Paraná apontou desvios de R$ 15.425.175,17 na Prefeitura de Maringá entre 1993 e 1996, durante a segunda gestão do prefeito Said Felício Ferreira. As fraudes, segundo a Promotoria, eram feitas ‘por meio da emissão de cheques, sacados da conta corrente do município de Maringá, em nome da Caixa Econômica Federal’ em nomes de ‘laranjas’.

A denúncia foi recebida em 2 de abril de 2003. A sentença foi proferida em 31 de agosto deste ano e condenou também Olga Youssef, irmã do doleiro. Ela teria sido funcionária do doleiro, responsável por uma casa de câmbio em São Paulo, e recebido valores desviados.

Youssef disse à Justiça que tinha uma empresa de investimentos e sua renda mensal era de R$ 400 mil. O doleiro relatou que em 2003 fez um acordo com a Justiça de Maringá e fez vários depoimentos. Segundo Youssef, o então diretor de Contabilidade e Finanças da Prefeitura, Luis Antônio Paolicchi, repassava a ele pagamentos através de desvios feitos no Executivo de Maringá. Paolicchi morreu e foi excluído da ação penal.

“Confessa que o Paolicchi que era secretário da Fazenda de Maringá, quando ele fazia os desvios, ele lhe repassava os valores; que não sabia que o Paolicchi desviava os valores; que o Paolicchi era seu cliente, ele repassava os valores que ele desviava; que tomou conhecimento disso mais tarde”, narrou.

À Justiça de seu Estado natal, o doleiro afirmou que ‘quando fez o acordo com o Sérgio Moro, em 2003, acabou englobando um acordo geral, englobando municípios e governo do estado’. Youssef se referiu à delação no âmbito do caso Banestado.

Em alegações finais, Youssef ‘pleiteou’ a suspensão da ação penal, pelo prazo de 10 anos, ‘nos termos de colaboração premiada’, solicitou uma declaração judicial de que o doleiro já está cumprindo a pena, e de consequência a extinção da punibilidade e o reconhecimento da atenuante da confissão espontânea.

Na sentença, o juiz anotou que, ‘em delação premiada, Alberto Youssef mencionou ter sido movimentado cerca de R$ 245 milhões no período de um ano’.

“E, conforme demonstrado nos autos, Alberto Youssef utilizava de “laranjas” para efetuar as movimentações financeiras ilegais, sendo que dentre essas pessoas figurava até mesmo sua irmã, Olga Youssef. Insta registrar que, o acusado Alberto Youssef se aproveitou do fato de sua cunhada, a denunciada Cristina (falecida), que possuía retardo mental, para lhe repassar uma procuração com poderes para realizar movimentações bancárias”, afirmou o juiz.

Para o magistrado, ‘Alberto Youssef não mediu esforços e escrúpulos para disfarçar as movimentações financeiras ilícitas, envolvendo até mesmo familiares na ilegalidade, com a ajuda de Paolicchi e Said (ambos falecidos)’.

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA ANTONIO FIGUEREDO BASTO, DEFENSOR DE YOUSSEF

A reportagem está tentando contato com a defesa de Alberto Yousseff. O espaço está aberto para manifestação.

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