Léo Pinheiro disse que Vaccari propôs compra do edifício Solaris e Okamotto autorizou

Ex-presidente da OAS afirmou que em 2009 foi procurado pelo ex-tesoureiro do PT para que empresa comprasse unidades da Bancoop e lhe indicou prédio do Guarujá (SP) por ter imóvel de Lula; tríplex não poderia ser comercializado

Julia Affonso, Ricardo Brandt, Fausto Macedo e Luiz Vassallo

20 Abril 2017 | 18h38

Fachada do Condomínio Solaris, no Guarujá. Foto: MOTTA JR./FUTURA PRESS

Fachada do Condomínio Solaris, no Guarujá. Foto: MOTTA JR./FUTURA PRESS

O ex-presidente da OAS José Aldemário Pinheiro, o Léo Pinheiro, afirmou o juiz federal Sérgio Moro, dos processos da Lava Jato, em Curitiba, que foi o ex-tesoureiro do PT João Vaccari que o procurou em 2009 e indicou a compra do edifício Solaris, no Guarujá (SP), da Bancoop, por ser onde o ex-presidente tinha um apartamento. “Tríplex não poderia ser comercializado.”

“No ano de 2009 eu fui procurado pelo seu João Vacarri que tinha sido presidente do Bancoop. Ele me colocou que a situação do Bancoop de quase insolvência, eles não estavam conseguindo dar andamento em empreendimentos, alguns estavam paralisados e outros não tinham iniciado”, afirmou Léo Pinheiro, réu em processo da Lava Jato com Lula.

“Ele mostrou 6 ou 7 empreendimentos que o Bancoop teria uma intenção de negociações conosco”, afirmou o empresário. Dois deles no Guarujá. Léo Pinheiro disse que tinha interesse em São Paulo

“Quando ele me mostrou os dois prédios do Guarujá (SP), eu fiz uma ressalva a ele que não nos interessava atuar , nossos alvos eram grandes capitais.”

Vaccari teria dito então “aqui temos uma coisa diferente”.

“Existe um empreendimento que existe à família do presidente Lula. Diante do seu relacionamento com o presidente, de seu relacionamento com a empresa, eu acho que nós estávamos lhe convidando para participar disso por conta de toda esse relacionamento e do grau de confiança que depositamos na sua empresa e na sua pessoa”, relatou Léo Pinheiro.

Okamotto. “Diante disso, eu digo: ‘olha, em se tratando de uma coisa dessa monta, não vejo problema, eu vou passar isso para nossa área imobiliária, é uma empresa independente, a empresa fará os estudos, eu volto com você a gente vê se é viável e com quem podemos negociar.”

O empresário disse que procurou Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, para saber do pedido.

“Quando essa conversa foi concluída procurei o Paulo Okamotto, que era pessoa do estreito relacionamento do presidente e também do meu relacionamento.”

O empresário afirmou ter dito a Okamotto: “O João Vaccari me procurou, com isso, isso e isso, o que você me recomenda, o que você me orienta?”.

Okamotto teria respondido: “Nós temos conhecimento disso e tem um significado muito grande. Primeiro a Bancoop, o sindicato tem muito ligação conosco, com o partido, e segundo porque tem um apartamento do presidente e eu acho que você é uma pessoa indicada para fazer isso pela confiança que nós temos em vocês.”

Léo Pinheiro disse que se podia comprar o prédio, então voltou a falar com Vaccari.

O empresário afirmou a Moro que “o tríplex não poderia ser negociado”, apenas a antiga unidade que pertencia à família Lula.

“Quem orientou isso?”, quis saber Moro.

“O João Vaccari e o Okamotto.”

COM A PALAVRA, O EX-PRESIDENTE LULA

“Léo Pinheiro no lugar de se defender em seu interrogatório, hoje, na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, contou uma versão acordada com o MPF como pressuposto para aceitação de uma delação premiada que poderá tirá-lo da prisão. Ele foi claramente incumbido de criar uma narrativa que sustentasse ser Lula o proprietário do chamado triplex do Guarujá. É a palavra dele contra o depoimento de 73 testemunhas, inclusive funcionários da OAS, negando ser Lula o dono do imóvel”.

“A versão fabricada de Pinheiro foi a ponto de criar um diálogo – não presenciado por ninguém – no qual Lula teria dado a fantasiosa e absurda orientação de destruição de provas sobre contribuições de campanha, tema que o próprio depoente reconheceu não ser objeto das conversas que mantinha com o ex-Presidente. É uma tese esdrúxula que já foi veiculada até em um e-mail falso encaminhado ao Instituto Lula que, a despeito de ter sido apresentada ao Juízo, não mereceu nenhuma providência”.

“A afirmação de que o triplex do Guarujá pertenceria a Lula é também incompatível com documentos da empresa, alguns deles assinados por Léo Pinheiro. Em 3/11/2009, houve emissão de debêntures pela OAS, dando em garantia o empreendimento Solaris, incluindo a fração ideal da unidade 164A. Outras operações financeiras foram realizadas dando em garantia essa mesma unidade. Em 2013, o próprio Léo Pinheiro assinou documento para essa finalidade. O que disse o depoente é incompatível com relatórios feitos por diversas empresas de auditoria e com documentos anexados ao processo de recuperação judicial da OAS, que indicam o apartamento como ativo da empresa”.

“Léo Pinheiro negou ter entregue as chaves do apartamento a Lula ou aos seus familiares. Também reconheceu que o imóvel jamais foi usado pelo ex-Presidente”.

“Perguntado sobre diversos aspectos dos 3 contratos que foram firmados entre a OAS e a Petrobras e que teriam relação com a suposta entrega do apartamento a Lula, Pinheiro não soube responder. Deixou claro estar ali narrando uma história pré-definida com o MPF e incompatível com a verdade dos fatos”.

Cristiano Zanin Martins

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