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Lava Jato pediu prisão de ex-tesoureiro de Dilma e do presidente do Instituto Lula

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, e Andreza Matais

04/03/2016, 15h49

   

Procuradores da Operação Aletheia, fase decisiva da investigação sobre corrupção na Petrobrás, apontaram como 'imprescindível' custódia de José de Fillipi Junior e de Paulo Okamotto, mas juiz Sérgio Moro não autorizou

Foto: Marcio Fernandes/Estadão

Foto: Marcio Fernandes/Estadão

A força-tarefa da Operação Lava Jato pediu no dia 22 de fevereiro a prisão do ex-tesoureiro da campanha da presidente Dilma Rousseff Jose de Fillipi Junior e do presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, no âmbito da Operação Alethea, deflagrada nesta sexta-feira, 4.

“Considerando as provas angariadas nas investigações, tem-se como imprescindível a decretação das prisões temporárias de Paulo Okamotto, José de Fillipi Junior e Paulo Gordilho”, pede a força-tarefa da Lava Jato.

Gordilho é alto executivo da empreiteira OAS, cujo dono, Léo Pinheiro, é próximo do ex-presidente Lula.
O juiz federal Sérgio Moro, que conduz os processos, negou o pedido. Ele autorizou apenas a condução coercitiva dos investigados. No caso de Fillipi Junior foi permitida busca no seu endereço residencial e também no Instituto Diadema de Estudos Municipais e na empresa AFC 3 Engenharia Ltda., que seriam ligadas a ele.

“José de Filippi Junior participou até muito recentemente de graves delitos perpetrados em desfavor da Petrobrás. Além de ter sido tesoureiro do projeto de reeleição do ex-presidente Lula, em 2006, período no qual recebeu vantagens ilícitas desviadas da Petrobrás pela Quip S.A. e UTC, recebeu, entre 2010 e 2014, inclusive enquanto presidente do Instituto Luiz Inácio Lula da Silva (7 de janeiro de 2011 à 24 de outubro de 2011), cerca de R$ 750 mil em espécie dessa última empresa”, afirmam os procuradores da Lava Jato.

A descoberta decorre da delação premiada do dono da UTC, Ricardo Pessoa, e do executivo Walmir Pinheiro, que confessaram ter feito repasses a Fillipi Junior. “Em decorrência de contrato celebrado pelo Consórcio TUC com a Petrobrás, no interesse das obras do Comperj.”

INICIAL DE FILIPPI

INICIAL DE FILLIPI 2

Segundo a Lava Jato, os pagamentos foram feitos por Ricardo Pessoa e Walmir Pinheiro ao ex-tesoureiro e ao seu emissário na sede da UTC.

“Tais entregas foram efetuadas até o dia 30 de maio de 2014, ou seja, em um período no qual a fase ostensiva da Operação Lava Jato já havia sido deflagrada e as investigações estava em pleno desenvolvimento. Tal circunstância não foi suficiente para inibir a atuação ilícita de José de Filippi Junior”, afirma a Procuradoria da República.

No caso do presidente do Instituto Lula, a Lava Jato considerou o fato de seu envolvimento com o armazenamento de bens do ex-presidente até janeiro, em contêineres pagos supostamente pela OAS.

“Não pairam dúvidas sobre a atuação ilícita de Paulo Okamotto na viabilização do custeio pela OAS do armazenamento de bens pessoais de Lula junto à Granero Transportes. Okamotto foi quem viabilizou, entre janeiro de 2011 e janeiro de 2016, a lavagem de R$ 1.292.210,40 do dinheiro da OAS em favor de Lula. Esse foi o montante que foi repassado pela Construtora OAS à Granero, em benefício de Lula e com o concurso de Paulo Okamoto, sob a falsa premissa de quitação de contrato de “armazenagem de materiais de escritório e mobiliário corporativa de propriedade da Construtora OAS Ltda.”.

No dia 12 de janeiro, já no foco central da Lava Jato, Okamotto “indicou agentes para retirar os bens pessoais de Lula armazenados pela Granero”.

OAS. Outro alvo de pedido de prisão foi o executivo Paulo Gordilho, executivo da OAS. “Foi responsável por confeccionar os projetos e providenciar a contratação da Kitchens para mobiliar a cozinha do sítio de Atibaia/SP e o apartamento de Lula no Condomínio Solaris.”

“Apesar do requerimento do Ministério Público Federal entendo que mais apropriado nessa fase o aprofundamento da colheita dos elementos probatórios, sem a imposição da prisão temporária. Não obstante, entendo que se justifica a condução coercitiva dos indicados para que prestem esclarecimentos nas mesmas datas das apreensões.”, escreveu Moro.

 

 

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