Lava Jato pede reforma que ‘barateie campanhas e desincentive relações promíscuas’

Lava Jato pede reforma que ‘barateie campanhas e desincentive relações promíscuas’

Procurador da República Paulo Roberto Galvão, que integra força-tarefa, argumenta que o atual sistema político 'dá incentivos para que parlamentares busquem financiamento ilegal de campanhas'

Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

18 Agosto 2017 | 14h36

O procurador da República Paulo Roberto Galvão /Foto: MPF-PR/Divulgação

O procurador da República Paulo Roberto Galvão, da força-tarefa da Operação Lava Jato, defendeu nesta sexta-feira, 18, uma reforma política que ‘mude o atual sistema que permitiu’ financiamento de campanhas com dinheiro desviado dos contratos públicos.

“A força-tarefa da Lava Jato entende ser necessária a mudança do sistema político, que permitiu durante todo esse tempo que negócios com o Poder Público fossem feitos a partir do pagamento de propinas”, afirmou o procurador, durante entrevista sobre as fases 43 e 44 da Lava Jato deflagradas hoje.

A etapa 43 chama-se Operação Sem Frorteiras e mira o cônsul honorário da Grévia Konstantinos Georgios Kotronakis. A etapa 44 é a Abate, cujo alvo maior é o ex-líder dos Governos Lula e DIlma na Câmara, Cândido Vaccarezza (ex-PT/SP), sob suspeita de recebimento de propinas no esquema Petrobrás.


Para a força-tarefa, as apurações mostraram que ‘inúmeros casos que tinham em comum o fato de que políticos filiados a partidos receberam propinas milionárias”.

“Em geral, os recursos foram usados para amealhar fortunas pessoais e financiar campanhas eleitorais”, informou a força-tarefa, em nota.

Minutos antes da entrevista sobre as novas fases da Lava Jato, que prendeu Vaccarezza, a força-tarefa i informou que “exprime o reconhecimento da necessidade de uma reforma política que barateie campanhas e desincentive relações promíscuas entre parlamentares e empresas”.

“Preocupa os integrantes da força-tarefa o avanço de propostas que não só deixam de promover as mudanças necessárias, mas que facilitarão a lavagem de dinheiro da propina e sua inserção no sistema eleitoral, como a possibilidade de criação de bingos e loterias vinculado a partidos políticos ou ainda a ocultação da identidade dos doadores.”

Paulo Roberto Galvão argumenta que o atual sistema ‘dá incentivos para que parlamentares busquem financiamento ilegal de campanhas’.

“Esse deve ser um dos motes de uma reforma política que se proponha séria. Ela deve desincentivar a corrupção e o financiamento ilícito de campanhas.”

Para o procurador, as propostas em discussão no Congresso passam longe disso. “Algumas delas incentivam a corrupção. Há também propostas que visam facilitar a reeleição de pessoas investigadas pela Lava Jato.”

Galvão disse que o foco dos debates em Brasília tem sido “ou facilitar a corrupção ou facilitar a reeleição”.

“A população quer propostas com foco em moralizar a política brasileira e permitir que a gente avance contra a política velha.”