Lava Jato pede a BC dados de offshores no caso Odebrecht

Lava Jato pede a BC dados de offshores no caso Odebrecht

Juiz federal dá cinco dias para levantamento sobre operações de câmbio eventualmente realizadas em 12 anos; força-tarefa diz que empreiteira pagou R$ 389 milhões em propinas no exterior

Redação

28 Julho 2015 | 05h00

Sede da empreiteira foi alvo de buscas. Foto: Marcos Bezerra/Futura Press

Foto: Marcos Bezerra/Futura Press

Por Mateus Coutinho, Fausto Macedo e Julia Affonso

A Justiça Federal pediu ao Banco Central dados sobre eventuais operações de câmbio ou de transferências internacionais registradas no Sistema de Informações da instituição (SISBACEN) em nome de 9 offshores, cinco delas supostamente vinculadas a contas da Odebrecht – empreiteira sob suspeita de ter integrado cartel para fraudes em licitações da Petrobrás. O período da busca se estende por mais de 12 anos, de 1.º de janeiro de 2003 a 31 de março de 2015. O juiz quebrou o sigilo bancário das offshores e deu cinco dias para o Banco Central responder.

A Odebrecht, segundo a Procuradoria da República, distribuiu R$ 389 milhões em propinas a ex-diretores da estatal petrolífera. Na última sexta-feira, o Ministério Público Federal denunciou criminalmente o empresário Marcelo Odebrecht, presidente da empreiteira, preso em 19 de junho pela Erga Omnes, 14.º capítulo da Operação Lava Jato.

Amparado em documentos que a Suíça enviou, o Ministério Público Federal afirma que rastreou 56 atos de corrupção e 136 de lavagem de dinheiro por parte da Odebrecht.

Na petição endereçada ao secretário-executivo do Banco Central, Geraldo Magela Siqueira, o juiz Sérgio Moro lista as nove offshores das quais quer informações sobre operações de câmbio ou de remessas para o exterior: Smith & Nash Enginnering Company, Arcadex Corporation, Havinsur S/A, Golac Project and Construction Corporation, Rodira Holdings Ltd., Sherkson International, Constructora International Del Sur, Klienfeld Services e Innovation Research.

A força-tarefa da Lava Jato sustenta na denúncia contra Marcelo Odebrecht que a empreiteira pagou propinas aos ex-diretores da Petrobrás Paulo Roberto Costa (Abastecimento), Jorge Luiz Zelada (Internaconal), Renato Duque (Serviços) e Nestor Cerveró (Internacional) por meio de deslocamento de valores por offshores e contas na Suíça.

A Odebrecht nega taxativamente pagamentos ilícitos e afirma que jamais participou de cartel na estatal petrolífera.

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