Lava Jato identificou mobilização e vazamentos para prejudicar depoimento de Lula

Movimentação de petistas para tumultuar investigação que mira ex-presidente e vazamento de dados sobre quebras de sigilos estão sob apuração na Lava Jato

Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Mateus Coutinho

04 Março 2016 | 10h38

Foto: Marcio Fernandes/Estadão

Foto: Marcio Fernandes/Estadão

A força-tarefa da Operação Lava Jato identificou mobilização para dificultar as buscas e apreensões da Operação Aletheia, 24ª fase da Lava Jato, que levou nesta sexta-feira, 4, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para depor coercitivamente. Ele é suspeito de ser um dos líderes do esquema de corrupção na Petrobrás e de ter recebido dinheiro de propina em forma de reformas e aquisições de imóveis.

“Há indicativos de vazamentos e foram prejudiciais. Quem tiver obstruindo as apurações serão processados”, afirmou o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima.

O delegado da Polícia Federal Igor Romário de Paula afirmou que foram identificadas movimentações para mobilizar pessoas para impedir as operações. Por isso, o ex-presidente foi levado para ser ouvido no Aeroporto de
Congonhas, onde está sendo ouvido desde as 8h.

Houve também o vazamento de informações sobre a quebra dos sigilos bancários e fiscal de Lula e de sua família. “Foi aberta uma investigação para apurar esses fatos”, disse o delegado.

A Operação Aletheia deflagrada na manhã desta sexta-feira e os mandados estão sendo cumpridos em endereços do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de seus filhos e no Instituto Lula.

A Operação foi batizada de Aletheia em referência a expressão grega que significa busca da verdade. Cerca de 200 policiais estão nas ruas e 30 auditores da Receita para cumprir 44 ordens judiciais, entre elas 33 mandados de busca e apreensão e 11 de condução coercitiva em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.

São investigados crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, entre outros praticados por diversas pessoas no contexto do esquema criminoso revelado pela Lava Jato que envolve pagamento de propina por grandes empreiteiras em troca de obras na Petrobrás a partidos políticos.

“É apenas mais uma operação. Não temos nenhuma motivação política”, afirmou o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima. “Há polarização nas ruas era previsível. Tínhamos evidencias quer pessoas
ligadas ao PT estavam organizando atos.”

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