Lava Jato encontra registro de propina em obra do Porto Maravilha, no Rio

Lava Jato encontra registro de propina em obra do Porto Maravilha, no Rio

Uma das maiores PPPs do Brasil, a obra está nas planilhas de contabilidade da corrupção da Odebrecht, alvo da 26ª fase denominada Operação Xepa

Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt

22 Março 2016 | 13h11

PORTO MARA DESTAQUE

A Operação Lava Jato descobriu indícios de pagamento de propina nas obras do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro, pela empreiteira Odebrecht – alvo da 26ª fase batizada de Operação Xepa, em referência ao casal de marqueteiro do PT João Santana e Mônica Moura, que recebiam valores da empresa.

Uma das maiores Parceria Público Privadas (PPP) do Rio de Janeiro, a Lava Jato identificou na planilha da contabilidade paralela da Odebrcht pagamentos de propina na obra vinculada ao codinome “Turquesa”.

“A planilha veicula um fato novo: que o pagamento solicitado ao codinome Turquesa se encontra vinculado à obra Porto Maravilha , no Rio de Janeiro”, informa o pedido de prisão dos executivos da Odebrecht, feito pela Polícia Federal.

Segundo e-mail em poder da Lava Jato, em 6 de novembro de 2014, Rodrigo Costa Melo, da Odebrecht Realizações Imobiliárias manda mensagem para Antonio Pessoa de Souza Couto sobre um “processo de aprovação previamente realizado” e solicitando a programação de uma entrega de R$ 1 milhão para o codinome ‘Turquesa’, a ocorrer no dia 26 de novembro de 2014”.

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“O e-mail ainda refere que tal transação é apenas parte de um saldo devedor de R$ 1.436.000,00 contraído perante ‘Turquesa’”, informam os delegados Renata da Silva Rodrigues e Márcio Anselmo.

O executivo da Odebrecht Rodrigo Melo é diretor Regional do braço da empresa no Rio de Janeiro “com área de atuação concentrada na região do Porto Maravilha, Zonas Sul e Oeste da Cidade do Rio de Janeiro”, segundo os investigadores. Couto é diretor superintendente da unidade.

“Em 11 de novembro de 2014, Antonio Couto dá o seu ‘ok’ para a entrega.” Na sequência a Lava Jato identificou e-mail enviado para para “PA”, que seria Paulo Elie Altit, também executivo do grupo, que “também dá o seu ‘ok’ e copia o e-mail para Ubiraci Santos” – outro executivo.

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“Com a aprovação de suas chefias imediatas, Rodrigo Melo então encaminha e-mail a [Maria] Lucia Tavares, solicitando a entrega do dinheiro em duas parcelas.”

O projeto de Porto Maravilha – uma das maiores Parcerias Público-Privadas (PPP) do Brasil – prevê a revitalização da região portuária do Rio de Janeiro. De responsabilidade da Concessionária Porto Novo (formada por Odebrecht Infraestrutura, OAS e Carioca Engenharia), a Operação Urbana Porto Maravilha transforma uma área de 5 milhões de metro quadrados em um moderno centro urbano.

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COM A PALAVRA, A ODEBRECHT

“A Odebrecht confirma que a Polícia Federal cumpriu hoje mandados de prisão, condução coercitiva e busca e apreensão em escritórios e residências de integrantes em algumas cidades no Brasil. A empresa tem prestado todo o auxílio nas investigações em curso, colaborando com os esclarecimentos necessários.”

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