Lava Jato encontra provas que ligam carregador de malas de Duque a cartel

Nas buscas feitas na Riomarine, no Rio, PF apreendeu contratos e notas de consultoria emitidas por Mario Goes, acusado de operar propina na Petrobrás até 2014, e seis empresas investigadas

Redação

28 Fevereiro 2015 | 05h00

Por Mateus Coutinho, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

Atualizado às 15h35

A Operação Lava Jato encontrou contratos e notas fiscais de consultoria que envolvem sete empreiteiras acusadas de cartel e corrupção na Petrobrás firmados com a Riomarine Oil e Gas, que pertence a Mário Frederico de Mendonça Góes. Preso desde o dia 8, ele é acusado de ser um dos 11 operadores de propina na Diretoria de Serviços da estatal e carregador de malas de dinheiro para o ex-diretor da estatal Renato Duque.

Os documentos reforçam a acusação contra as empreiteiras citadas na operação, na visão dos investigadores. A força-tarefa da Lava Jato encontrou 31 notas fiscais da Riomarine emitidas para empresa Andrade Gutierrez, que totalizam R$ 5,3 milhões, e 14 notas para a UTC no total de R$ 9,7 milhões referentes a seis contratos – um deles uma parceria com a Odebrecht no valor de R$ 1,5 milhão.

Existem ainda seis notas para a OAS, no valor total de R$ 10,2 milhões; dez notas para a empreiteira MPE (R$ 9,3 milhões) e outras 22 notas que totalizam R$ 5,1 milhões para o Consórcio Mendes Junior/MPE/Setal. As notas encontradas somam R$ 39,7 milhões.

Renato Duque é levado à sede da PF no Rio - Foto: Márcia Foletto/Agência O Globo

Renato Duque é levado à sede da PF no Rio – Foto: Márcia Foletto/Agência O Globo

Mário Góes, como é conhecido, foi um dos principais alvos da nona fase da Lava Jato, chamada de My Way. Único a ter prisão preventiva decretada na ocasião, há fortes indícios de que ele continuou atuando até novembro de 2014, segundo os investigadores, mesmo após deflagrada a operação. O fato foi considerado “perturbador” pelo juiz federal Sérgio Moro, que conduz os processos do caso.

A suspeita dos investigadores é que foram firmados contratos fictícios de consultoria para encobrir o pagamento de propina. De acordo com o juiz, faltam detalhes do trabalho feito e a contratação de funcionários para realizá-lo. Há, por exemplo, seis notas fiscais de R$ 124 mil em favor do Consórcio Mendes Junior/MPE/Setal por serviços de consultoria “sem maiores detalhamentos do objeto da consultoria técnica”, registrou Moro.

O magistrado lembra ainda que o próprio Ministério Público Federal observou que “não foram apreendidos quaisquer relatórios de consultoria ou assessoria que denotassem o efetivo cumprimento dos objetos dos diversos contratos milionários por tal empresa celebrados”.

Intermediário. A ação de Góes no esquema de corrupção da Petrobrás teria sido similar a do doleiro Alberto Youssef, que entregava dinheiro e cuidava da movimentação dos valores em contas no exterior. Seu papel seria o de “um intermediador profissional do pagamento de propinas por empresas privadas a dirigentes ou empregados da Petrobrás”, segundo o despacho.

Segundo os investigadores, o consultor era representante de empreiteiras no esquema montado na Diretoria de Serviços e na BR Distribuidora, subsidiária da Petrobrás no setor de postos. Seu nome surgiu a partir do depoimento do ex-gerente da Petrobrás Pedro Barusco, que fez acordo de delação premiada. Segundo ele, Góes era intermediário de propinas pagas a ele e a Renato Duque, indicado ao cargo na estatal pelo PT.

Em seu despacho, Moro observa que o material apreendido reforça as suspeitas sobre a atuação de Góes. “O quadro até o momento é consistente com o descrito pelo criminoso colaborador Pedro Barusco, de que o investigado intermediaria pagamento de propinas das empreiteiras a empregados e dirigentes da Petrobrás”, afirma.

De acordo com Pedro Barusco, Góes operava o recebimento de parte do dinheiro de propina pago a ele e a Duque. Segundo o ex-gerente, o consultor foi seu sócio na compra de uma aeronave avaliada em US$ 1,3 milhão, registrada em nome da Riomarine.
Góes, em seu depoimento à polícia, manteve-se calado diante da maior parte das perguntas dos delegados. As empreiteiras que aparecem nos documentos apreendidos têm negado envolvimento com as irregularidades e afirmaram que não iriam se manifestar sobre a investigação em andamento.

 

 

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