Lava Jato é apenas uma das operações de combate à corrupção, diz novo diretor da PF

Lava Jato é apenas uma das operações de combate à corrupção, diz novo diretor da PF

Em entrevista à Globo News, delegado Fernando Segóvia, escolhido por Temer para comandar a corporação, afirma que 'corrupção é sistêmica, mas existe a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e outros órgãos para esse combate'

Da Redação

10 Novembro 2017 | 17h51

Reprodução de entrevista concedida à Associação dos Juízes Federais do Brasil.

O novo diretor-geral da Polícia Federal, delegado Fernando Segóvia, disse nesta sexta-feira, 10, que ‘a Lava Jato, na realidade, é uma das operações de combate à corrupção no País’. Em entrevista à repórter Ana Paula Andreolla, da Globo News, Segóvia afirmou que ‘a Polícia Federal pretende justamente ampliar, aumentar o combate à corrupção’.

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“Não será só uma ampliação, uma melhoria na Lava Jato, será em todas as operações que a Polícia Federal já vem empreendendo, bem como ampliar, criar novas operações”, declarou o novo diretor.

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Escolhido pelo presidente Michel Temer para a cadeira que Leandro Daiello ocupou durante seis anos e 10 meses, Segóvia toma posse no dia 20. Sobre ele e o futuro da Lava Jato recai grande expectativa, especialmente com relação à etapa das investigações relativas a políticos com foro privilegiado.

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À repórter da Globo News, Segóvia enfatizou. “Pode ter uma única certeza: a corrupção nesse País é sistêmica, mas existe a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e vários outros órgãos que combatem a corrupção. E a gente pretende continuar cada vez mais fortes nesse combate.”

Indagado se espera sofrer pressão política, e como pretende lidar com esse tipo de situação, o delegado afirmou. “A política, na realidade, ela faz parte da vida do ser humano. Então, como diretor-geral eu tenho que, realmente, trabalhar politicamente com vários órgãos, várias instituições. O que não quer dizer que a gente não combata os crimes que são cometidos por pessoas. As instituições não cometem crimes, as pessoas cometem crimes. Dentro de empresas os funcionários cometem crimes. As empresas não cometem crimes.”

“Então, o que a gente precisa, na realidade, é melhorar o foco nas investigações. E aí combater melhor esse tipo de crime, combatendo a essência da corrupção. E isso a gente vai trabalhar em parceria com o Ministério Público Federal e outras organizações para tentar melhorar esse combate.”

Indagado pela Globo News sobre mudanças nas diretorias da corporação e na força-tarefa da Lava Jato, Segóvia afirmou. “A gente está começando a trabalhar agora, dentro de um processo de transição natural. A Polícia Federal está tranquila. Já fizemos reuniões com todos os atuais diretores e superintendentes regionais e todos estão tranquilos. A gente pretende continuar o trabalho da Polícia Federal e as mudanças serão feitas paulatinamente.”

“Com certeza, sempre tem gente que está cansada e quer sair e tem gente que está novo e quer começar o trabalho.”