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Operação Lava Jato

Lava Jato deflagra primeira operação internacional e prende operador de propinas

Por Fausto Macedo, Julia Affonso, Ricardo Brandt e Andreza Matais

21/03/2016, 06h38

   

Autoridades de Portugal cumpriram, na 25ª fase da operação, mandado de prisão contra Raul Schmidt Felipe Junior, investigado que estava foragido desde julho de 2015

Edifício da Petrobrás, no Rio. Foto: André Dusek/Estadão

Edifício da Petrobrás, no Rio. Foto: André Dusek/Estadão

Atualizada às 15h43

A Operação Lava Jato deflagrou na madrugada desta segunda-feira, 21, sua primeira fase internacional em Lisboa, Portugal. A Operação Polimento, 25ª fase da Lava Jato, cumpre mandados de busca e apreensão e prisão preventiva de Raul Schmidt Felipe Junior. Ele foi preso em um apartamento de luxo avaliado em 3 milhões de euros. Foram apreendidos documentos, carros, dinheiro e obras de arte.

Segundo a Procuradoria brasileira, Raul Schmidt Felipe Junior é investigado pelo pagamento de propinas aos ex-diretores da estatal petrolífera Renato de Souza Duque (Serviços), Nestor Cerveró e Jorge Luiz Zelada (ambos da área Internacional). Os três estão presos em Curitiba, base da Lava Jato, pela participação no esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa instalado na Petrobrás.

Em nota, a Procuradoria portuguesa informou que já recebeu, das autoridades brasileiras, ‘três cartas rogatórias relacionadas com esta matéria’. “Uma já foi devolvida. As restantes encontram-se em execução.”

O Ministério Público Federal informou que Raul Schmidt Felipe Junior estava foragido desde julho de 2015, quando foi expedida a ordem de prisão. Seu nome havia sido incluído no alerta de difusão da Interpol em outubro do ano passado.

“Além de atuar como operador financeiro no pagamento de propinas aos agentes públicos da Petrobrás, ele também aparece como preposto de empresas internacionais na obtenção de contratos de exploração de plataformas da Petrobrás”, diz a nota.

A Polícia Federal informou que Raul Schmidt é investigado pela Lava Jato desde a 10ª fase da operação e tido como sócio de Jorge Zelada. “O compartilhamento de provas colhidas hoje auxiliarão nos trabalhos desenvolvidos pela equipe Lava Jato no Brasil”, afirmou nota da PF.

A deflagração da operação foi um trabalho conjunto entre Portugal e Brasil. De acordo com a Procuradoria, o cumprimento das medidas foi feito pela polícia judiciária portuguesa e pelo Ministério Público português. Autoridades brasileiras do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF) acompanharam as diligências. Cumpridas as medidas cautelares, o Brasil dará início ao processo de extradição.

“Raul Schmidt é brasileiro e também possui naturalidade portuguesa. O investigado vivia em Londres, onde mantinha uma galeria de arte, e se mudou para Portugal após o início da operação Lava Jato, em virtude da dupla nacionalidade”, informou o Ministério Público Federal.

A ÍNTEGRA DA NOTA DA PROCURADORIA-GERAL DA REPÚBLICA DE PORTUGAL

Em execução de um pedido de cooperação judiciária internacional recebido das autoridades brasileiras, o Ministério Público do Departamento Central de Investigação e Ação Penal realizou, esta manhã, diversas diligências, designadamente buscas.

Foi, igualmente, efetuada a detenção de um cidadão luso-brasileiro, tendo as autoridades brasileiras manifestado a intenção de desencadear um processo de extradição.

Estas diligências, nas quais o Ministério Público é coadjuvado pela Polícia Judiciária, foram acompanhadas por uma equipa do Ministério Público brasileiro, autorizada para o efeito ao abrigo dos instrumentos legais de cooperação.

O pedido de cooperação insere-se no âmbito da Operação Lava Jato.

A Procuradoria-Geral da República já recebeu, das autoridades brasileiras, três cartas rogatórias relacionadas com esta matéria. Uma já foi devolvida. As restantes encontram-se em execução.

Lisboa, 21 de março de 2016

O Gabinete de Imprensa

 

 

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