Lava Jato completa 4 anos e discute seu futuro

Procuradores das forças-tarefa que atuam nas três instâncias da Justiça estão reunidos no MPF, em Porto Alegre, para trocar informações, tratar sobre os rumos das investigações e apresentar um balanço do caso

Teo Cury, enviado especial a Porto Alegre, Fausto Macedo e Luiz Vassallo

16 Março 2018 | 11h26

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge: 4 anos de Lava Jato. FOTO: ANDRE DUSEK/ESTADAO

Desde esta quinta-feira, 15, representantes das forças-tarefa das três instâncias do Ministério Público Federal que atuam na Operação Lava Jato estão reunidos em Porto Alegre. É a primeira vez que os coordenadores dos grupos de procuradores que atuam em Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ) e Brasília (DF) realizam uma reunião para troca de informações e discussão do trabalhos.

O evento marca os 4 anos de Lava Jato, completos neste sábado, 17. Com 72 acusações criminais formalizadas só em Curitiba, na 13.ª Vara Federal, do juiz Sérgio Moro, contra 289 pessoas, são 188 condenações contra 123 réus, em 40 sentenças. Só com os 163 acordos de colaboração premiada e 11 de leniência fechados foram recuperados R$ 11,5 bilhões. Deste total, R$ 1,47 bilhão já retornou para os cofres da Petrobrás.

Às 14h30 desta sexta-feira, 16, os coordenadores das forças-tarefa farão darão uma entrevista coletiva à imprensa, na sede da Procuradoria Regional da República da 4.ª Região (PRR-4). Será apresentado no evento um balanço dos quatro anos de investigações de corrupção e cartel e os procuradores falarão sobre as perspectivas para o futuro do combate aos crimes de colarinho branco no Brasil.

Pela manhã, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, abriu a reunião de procuradores, fechada à imprensa. Ela não participará do evento à tarde. Para ela, tão importante quanto desvendar os crimes por meio de colaboração premiada é fazer cumprir os termos da colaboração. “Exigir dos colaboradores que não apenas prestem declarações culpando terceiros, mas apresentem claramente os indícios do que afirmam. Fazer cumprir a devolução do dinheiro, as multas e sanções.”

A jornalistas, a procuradora-geral afirmou que tem utilizado “com muita profusão” de acordos de colaboração premiada, mas com segurança para que ao final da condenação penal “não prospere nenhuma arguição de nulidade”.

 Isso porque, em sua avaliação, as delações são um “instrumento novo sob o qual pairam muitas dúvidas jurídicas”.

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