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Lava Jato bloqueia R$ 700 mil de advogado foragido

Lava Jato bloqueia R$ 700 mil de advogado foragido

Quantia encontrada em contas de Rodrigo Tacla Duran, alvo da Operação Dragão, é muito inferior aos R$ 20 milhões que juiz Sérgio Moro mandou confiscar

Mateus Coutinho, Julia Affonso e Ricardo Brandt

16 Novembro 2016 | 04h30

QUALIFICA TACLA DURAN

Operação Lava Jato bloqueou R$ 704,7 mil de contas bancárias do advogado Rodrigo Tacla Duran, principal alvo da Operação Dragão, 36.ª fase da investigação sobre cartel e propinas na Petrobrás.

O bloqueio dos ativos de Tacla Duran foi decretado pelo juiz federal Sérgio Moro. Ele mandou congelar R$ 20 milhões do advogado que está foragido e integra a Lista Vermelha de procurados da Interpol, a Polícia Internacional.

O rastreamento promovido pelo Banco Central encontrou valores inexpressivos em contas da empresa do advogado, a TWC Participações Ltda – numa conta, R$ 6,21, em outra R$ 5.348,63, em outras sete nem um centavo sequer.

Em uma conta do Tacla Duran Sociedade Advogados, a pesquisa identificou R$ 5.078,04. Em outra, R$ 565,11. Em outras três, saldo zero.

Nas contas pessoais do advogado os inspetores do Banco Central tiveram mais sorte. Eles identificaram um valor mais elevado, R$ 704,7 mil, ainda longe do total que o juiz Moro mandou congelar.

O montante foi imediatamente interditado, assim divididos: R$ 690.489,19 de uma conta; mais R$ 9.310,47 de outra; R$ 2.529,31 em terceira conta; R$ 1.704,32 em mais uma; R$ 671,33 em outra; e saldo zero em mais duas.

Com dupla cidadania – possui passaportes brasileiro e espanhol -, o último registro de saída do Brasil de Tacla Duran é do dia 11 de abril. Às 21h49, ele embarcou no voo JJ8090, no Aeroporto Internacional de São Paulo em Guarulhos/Cumbica, com destino a Miami. Desde então, a força-tarefa da Lava Jato desconhece seu paradeiro.

Segundo a Lava Jato, Tacla Duran agia como um dos operadores financeiros fixos do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, o chamado ‘departamento da propina’.

Para executar sua função no esquema, ele usava uma empresa de fachada e seu escritório de advocacia que movimentaram pelo menos R$ 54 milhões em propinas para outras empresas – algumas já alvos da força-tarefa, como a UTC, a Mendes Junior e a própria Odebrecht. No período investigado, ele viajou 80 vezes para fora do País.

Moro autorizou a quebra de sigilo do advogado e de seus negócios. Só a Tacla Duran Sociedade de Advocacia recebeu R$ 63 milhões no período sob apuração.

“O que se vislumbra é que a empresa transferia (valores) para o escritório, seu principal sócio, o advogado Rodrigo Tacla Duran, sacava e devolvia em parte para a própria empreiteira”, afirmou o procurador da República Roberson Pozzobon, da equipe da Lava Jato.

A Lava Jato produziu ainda um relatório sobre o monitoramento das viagens ao exterior de Tacla Durante, com detalhes das 80 viagens feitas no período de 8 anos. Para os investigadores, o advogado era um “elo entre os corruptores e os corrompidos”.

A informação sobre as viagens é relevante para as investigações, porque o advogado é investigado por supostamente ser controlador de pelo menos 12 contas secretas em nome de empresas offshores que eram usadas pela Odebrecht para pagamentos de propinas.

Pela sistemática descoberta, o operador recebia valores de contas secretas ligadas às empresas e, por meio de operações de dólar-cabo com doleiros e operadores do mercado negro no Brasil, disponibilizava recursos em espécie para pagamentos de propinas aqui.

“As investigações decorrem de outras fazes anteriores. Em relação a Tacla Duran tínhamos a monitoração que ele saía do País com bastante frequência. No período dos últimos oito anos realizou cerca de 80 viagens ao exterior com rápido retorno ao Brasil”, disse o procurador da República Julio Noronha.

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