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Laranja de Youssef afirma que doleiro ‘trabalhava para o PSDB’

Interrogado na Justiça Federal, Leonardo Meirelles afirma que Alberto Youssef tinha relações com ex-presidente do PSDB, Sérgio Guerra

Redação

21 Outubro 2014 | 05h00

Fausto Macedo e Ricardo Brandt

Leonardo Meirelles, suposto laranja de Alberto Youssef nas indústrias de medicamentos Labogen, disse à Justiça Federal nesta segunda feira, 20, que o doleiro “trabalhava para o PSDB, com o senador Sérgio Guerra”.

Meirelles foi interrogado como réu em uma das ações penais da Operação Lava Jato – investigação sobre esquema de lavagem de dinheiro que pode ter alcançado R$ 10 bilhões.

O nome de Sérgio Guerra – morto em março de 2014, vítima de câncer – surgiu pela primeira vez na Lava Jato na delação premiada do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa. Segundo Costa, em 2009, o então senador e presidente nacional do PSDB o procurou para pedir propina em troca do esvaziamento da CPI da Petrobrás, no Senado, aberta em julho daquele ano. Guerra integrava o bloco de oposição na CPI.

O ex-diretor da estatal petrolífera afirmou que a empreiteira Queiroz Galvão pagou R$ 10 milhões para Guerra. A Queiroz Galvão e o PSDB negam prática de atos ilícitos.

Nesta segunda feira, 20, o nome de Sérgio Guerra foi citado pela segunda vez na Lava Jato, agora por Leonardo Meirelles, que a Polícia Federal aponta como laranja do doleiro Youssef no Labogen – que estava negociando um contrato com o Ministério da Saúde.

Meirelles falou espontaneamente sobre o PSDB e sobre Guerra. Ninguém lhe perguntou, na audiência realizada na Justiça Federal em Curitiba, sobre o partido ou sobre o ex-senador. Ao falar sobre o doleiro, Meirelles associou Youssef o PSDB e à Guerra. O dono da Labogen, que era usada por Youssef, teve como seu maior negócio um contrato milionário que seria fechado com o Ministério da Saúde, para fornecimento de medicamentos.

O advogado de Youssef, Antônio Figueiredo Bastos, disse que o cliente não confirma que tenha relações com os tucanos.

O contrato foi negociado durante a gestão do ex-ministro Alexandre Padilha – que licenciou-se do cargo este ano para concorrer como candidato ao governo de São Paulo. Um dos intermediadores do negócio já citado seria o deputado federal André Vargas (PR) Meirelles já confessou à Justiça Federal que sua parte da lavanderia de Youssef era fazer importações fictícias para o doleiro, via Hong Kong, para mandar dinheiro para fora do País. “O dinheiro ia para as contas indicadas por ele”, afirmou Meirelles ao juiz federal Sérgio Moro.

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