Justiça mantém Puccinelli na cadeia da Lama Asfáltica

Justiça mantém Puccinelli na cadeia da Lama Asfáltica

Em audiência de custódia, juiz da 3.ª Vara Federal de Campo Grande rejeita substituir ordem de prisão preventiva do peemedebista e de seu filho, o advogado André Puccinelli Júnior, por medidas cautelares

Luiz Vassallo e Fausto Macedo

14 Novembro 2017 | 21h09

André Puccinelli foi levado pelos agentes da Policia Federal depor na PF. FOTO André de Abreu/TopMídiaNews

A Justiça Federal em Campo Grande manteve na prisão da Operação Lama Asfáltica o ex-governador André Puccinelli (PMDB) e seu filho, o advogado André Puccinelli Júnior – capturados nesta terça-feira, 14, por suspeita de integrarem organização criminosa que teria desviado R$ 235 milhões de verbas públicas da União por meio de fraudes em licitações e concessão de créditos tributários a grupos empresariais em troca de propinas.

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Durante audiência de custódia realizada na 3.ª Vara Federal de Campo Grande, no final da tarde desta terça, o juiz Ney Gustavo Paes de Andrade rejeitou pedido da defesa dos Puccinelli para substituir a prisão preventiva por medidas cautelares.


O advogado Renê Siufi, que defende o ex-governador e seu filho, vai entrar com pedido de habeas corpus no Tribunal Regional Federal da 3.ªRegião (TRF3) alegando que ambos são inocentes, que não há nenhuma prova de corrupção contra eles e que, soltos, não vão prejudicar as investigações.

O ex-governador e o filho foram presos na Operação Papiros de Lama, quinta fase da Lama Asfáltica, deflagrada pela Polícia Federal, em parceria com a Receita e a Controladoria-Geral da União.

Papiros de Lama foi montada a partir da delação premiada do pecuarista Ivanildo da Cunha Miranda. Ele afirmou que viajava frequentemente a São Paulo para pegar propina em dinheiro vivo destinada a Puccinelli. Pelo menos R$ 20 milhões teriam sido repassados ao peemedebista, segundo o delator.

A PF atribui ao ex-governador ‘papel central’ na organização criminosa que se teria instalado no governo de Mato Grosso do Sul – o peemedebista chefiou o Executivo estadual por dois mandatos, entre 2007 e 2014.

Renê Siufi, defensor de Puccinelli e de seu filho, reagiu com veemência à versão do delator. “É inconsistente (a delação), ele (Ivanildo) fala que arrecadou até março de 2015. Nessa época, o André Puccinelli nem era mais governador. Só se ele (Ivanildo, o delator) estava arrecadando para alguém e para ele próprio”, declarou Siufi.

Renê Siufi disse que Puccinelli já foi ouvido três vezes na Polícia Federal sobre os fatos atribuídos a ele na Operação Lama Asfáltica. “Ele (Puccinelli) já falou sobre 90%, os outros 10% são referentes à delação (de Ivanildo Miranda) que é totalmente inconsistente.”

A prisão dos Puccinelli foi decretada com fundamento de que eles continuam praticando delitos, que a organização criminosa à qual supostamente pertencem é permanente e lava dinheiro.

“Achei estranho a ordem de prisão preventiva porque não tem sequer processo criminal contra o governador e o menino (André Júnior). Não tem processo e eles nem foram indiciados na Polícia Federal, foram ouvidos em declarações. Nunca vi isso em 47 anos de advocacia”, desabafou Renê Siufi.

A Operação Papiros de Lama atribui a Puccinelli Júnior emissão de notas fiscais frias para lavar dinheiro. “Não tem prova nenhuma contra o menino, ele nunca recebeu nenhum dinheiro ilícito”, afirma Renê Siufi. “Isso é uma bobagem, (o delator) vai ter que provar. Os irmãos Batista (Joesley e Wesley JBS) acabaram presos. Esse (Ivanildo Miranda, delator de Puccinelli) vai pagar R$ 3 milhões e não tem prova de nada do que diz.”