Justiça manda Sírio pagar R$ 577 mil a médica acusada de vazar exames de Marisa

Justiça manda Sírio pagar R$ 577 mil a médica acusada de vazar exames de Marisa

Profissional havia sido demitida por 'justa causa' ao supostamente divulgar o diagnóstico da ex-primeira dama, que morreu em fevereiro de 2017

Luiz Fernando Teixeira e Luiz Vassallo

12 Abril 2018 | 05h00

/ AFP PHOTO / NELSON ALMEIDA

A médica Gabriela Munhoz, demitida do hospital Sírio Libanês por supostamente ter vazado exames da ex-primeira dama Marisa Letícia, ganhou uma ação na Justiça do Trabalho. A juíza Isabel Cristina Gomes, da 16.ª Vara do Trabalho de São Paulo, reverteu a justa causa aplicada e condenou o Sírio a pagar R$ 577 mil de indenização por danos morais à profissional.

O hospital afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que ‘se manifestará na Justiça do trabalho, onde o processo está em tramitação”.

+ PEN não pode desistir de ação no Supremo, avaliam advogados

Gabriela teria divulgado detalhes sobre diagnóstico da ex-primeira-dama em um grupo de colegas no WhatsApp, no início de fevereiro de 2017. Marisa Letícia morreu no Sírio, vítima de um Acidente Vascular Cerebral.

+ Muito prazer, Gleisi Lula

O site jurídico Migalhas teve acesso à decisão judicial, que corre em segredo de justiça. A juíza concluiu que as informações passadas pela médica a um grupo de Whatsapp, formado exclusivamente por médicos, não eram do hospital e não dependiam de acesso ao prontuário ou a outros exames realizados em Marisa.

+ Guia de recolhimento de Luiz Inácio Lula da Silva

Já a imagem do laudo realizado em outro hospital já estava circulando em várias redes sociais, segundo a sentença.

Na sentença, a magistrada levou em conta o horário em que o plantão da médica acabou, anterior ao horário de admissão de Marisa. Além disso, quando as mensagens foram publicadas, a internação já era pública.

“Um empregador diligente, cuidadoso, teria tomado todas as medidas necessárias para a efetiva e irresistível apuração dos fatos de maneira a não deixar dúvidas sobre a autoria, enquadramento legal da conduta e grau de culpa da autora”. considera Isabel Cristina Gomes.

Ela afirma que houve culpa do hospital ao demitir a médica sem uma investigação mais apurada.

De acordo com Migalhas, a médica juntou vasta documentação ‘comprovando as ameaças que injustamente recebeu, bem como a enorme repercussão junto à imprensa nacional na época dos fatos’.

Além da indenização, o Sírio-Libanês foi condenado a pagar verbas rescisórias, apuradas em liquidação da sentença. O hospital pode recorrer.

COM A PALAVRA, O SÍRIO-LIBANÊS

“O hospital Sírio Libanês se manifestará na Justiça do trabalho onde o processo está em tramitação”.