Justiça manda indenizar padre acusado de roubar sino

Justiça manda indenizar padre acusado de roubar sino

Fiéis de Urubici, em Santa Catarina, questionavam autenticidade de peça, retirada da Matriz Nossa Senhora Mãe dos Homens durante um mês ; investigação concluiu que peça de bronze passou por um processo de restauração

Humberto Abdo, especial para o Blog

06 Outubro 2015 | 11h44

Moradores de Urubici (SC) foram condenados a pagar indenização de R$ 5 mil ao padre Sirlei Antunes de Souza, a quem acusaram de roubar o sino da igreja matriz da cidade

Moradores de Urubici (SC) foram condenados a indenizar o padre Sirlei Antunes de Souza, a quem acusaram de roubar o sino da igreja matriz da cidade Foto: Pixabay

Em decisão da 2ª Câmara de Direito Civil do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, moradores do município de Urubici foram condenados a pagar indenização de R$ 5 mil ao padre Sirlei Antunes de Souza, da Igreja Matriz Nossa Senhora Mãe dos Homens entre os anos 1998 e 2003.

Após dois fiéis terem registrado boletim de ocorrência acusando o religioso de ter roubado o sino da igreja, as investigações concluíram que o objeto havia sido recolhido de um depósito de entulhos para passar por um processo de limpeza e restauração, que durou um mês, ainda em 2003. Os fiéis insistiam que a peça de bronze, depois de restaurada, não se parecia com o original porque seria de latão.

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Na mesma época da acusação, os fiéis registraram boletim de ocorrência contra o padre, sob o fundamento de que ele substituiu a peça original por outra de ‘latão’. Segundo a sentença do Tribunal de Justiça de Santa Catarina a investigação administrativa, conduzida pelo bispo Dom Honeres Marchiori, concluiu que o sino instalado na igreja era o original, não tendo ocorrido qualquer substituição ou furto do objeto.

O padre e outro autor da ação, Ivacir Daniel Peruzzo e Peruzzo & Cia Ltda, postularam a condenação de cada um dos réus ao pagamento de indenização por danos morais no valor de R$100 mil. Eles alegaram, ainda, que os fiéis entraram em contato com a imprensa, alegando a troca do sino, que representa valor histórico à cidade de cerca de mil habitantes.

Documento

De acordo com o desembargador Monteiro Rocha, houve excesso por parte dos fiéis ao envolver um órgão de comunicação sobre o caso sem que existissem provas. Por danos morais, a decisão optou pelo pagamento de indenização. Ao fixar em R$ 5 mil a sanção, o desembargador destacou. “Sopesando as peculiaridades do caso e visando uma valoração razoável e proporcional ao dano, mantém-se a indenização em R$5 mil, pois referido valor não é fonte de enriquecimento ilícito ao autor (padre Sirlei) e pode ser custeado pelo requerido (os fiéis), sem que lhe cause ruína financeira.”