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Fernando Capez

Justiça manda Assembleia entregar computadores de aliados de Capez

Por Fausto Macedo e Fernanda Yoneya

17/02/2016, 07h00

   

Operação Alba Branca vai abrir correspondências eletrônicas de Luiz Carlos Gutierrez, o Licá, Jeter Rodrigues e José 'Meriva', todos funcionários do Legislativo sob suspeita de ligação com a quadrilha da merenda; desembargador quebrou sigilo de 18 investigados

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O desembargador Sérgio Rui da Fonseca, do Tribunal de Justiça de São Paulo, determinou à Assembleia Legislativa do Estado que “forneça imediatamente” a relação dos computadores “afetados ao uso funcional” de um assessor e dois ex-assessores do presidente da Casa, deputado Fernando Capez (PSDB). Todos são investigados, inclusive o tucano, no âmbito da Operação Alba Branca – inquérito sobre organização criminosa que fraudava licitações da merenda escolar.

O desembargador também quebrou o sigilo fiscal e bancário dos aliados de Capez e dele próprio. Ao todo, o magistrado mandou afastar o sigilo de dezoito investigados da Alba Branca, inclusive de cooperativas de produtos agrícolas.

Documento

A ordem para abertura dos arquivos eletrônicos atinge Luiz Carlos Gutierrez, o Licá, que trabalha no gabinete de Capez, Jeter Rodrigues Pereira e José Merivaldo dos Santos, o ‘Meriva’ – estes dois ex-auxiliares do presidente, mas ainda nos quadros da Assembleia.

O desembargador mandou expedir mandado à Secretaria-Geral de Administração da Assembleia para que libere os HDs dos computadores de Licá, Jeter e ‘Meriva’ que serão submetidos à perícia. O magistrado acolheu requerimento da Procuradoria-Geral de Justiça que pretende acessar os arquivos de caixas de mensagens de e-mails funcionais utilizados pelos três assessores parlamentares.

Os investigadores querem rastrear os contatos dos funcionários do Legislativo ligados a Capez. Eles suspeitam que os aliados do tucano eram elo da quadrilha da merenda com políticos e agentes públicos. A cooperativa Coaf se infiltrou em pelo menos 22 prefeituras e mirava em contratos da Secretaria da Educação do governo Alckmin.

O lobista Marcel Ferreira Júlio, que está foragido, e o ex-presidente da cooperativa Coaf – apontada como carro-chefe do grupo – circulavam sem restrições por gabinetes de deputados no Palácio Nove de Julho, sede do Legislativo estadual.

A quebra de sigilo ordenada pelo desembargador não inclui os computadores de Capez, apenas seus dados bancários e fiscais – ele próprio, por meio do criminalista Alberto Zacharias Toron, se havia antecipado à medida abrindo mão do sigilo.

O desembargador integra o Órgão Especial do Tribunal de Justiça – colegiado formado por 25 desembargadores que têm competência para autorizar esse tipo de investigação contra deputado estadual.

Ainda a pedido da Procuradoria, o desembargador Sérgio Rui quebrou o sigilo bancário e fiscal de Luiz Roberto dos Santos, o ‘Moita’, ex-chefe de gabinete da Casa Civil do governo Alckmin, e do ex-chefe de gabinete da Secretaria da Educação do Estado Fernando Padula.

O rastreamento abrange todas as contas de depósitos, de poupança, de investimento e outros bens, direitos e valores mantidos em instituições financeiras a partir de 1.º de janeiro de 2014 – inclusive nos casos em que o investigado apareça como cotitular, representante, responsável ou procurador – além de aplicações, informações referentes a cartões de crédito e outros produtos e registros de transações promovidas com uso de CPF; CNPJ referentes à moeda estrangeira (entradas e saídas).

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