Justiça do Rio vai decidir se Cabral fica em Bangu ou volta para Benfica

Justiça do Rio vai decidir se Cabral fica em Bangu ou volta para Benfica

Defesa do ex-governador, condenado a 100 anos de prisão e réu em 22 processos, pediu transferência do emedebista para a Cadeia Pública José Frederico Marques (Benfica) alegando 'risco à sua integridade física'

Roberta Pennafort/RIO

13 Abril 2018 | 17h07

Foto: GIULIANO GOMES/PR PRESS

Alegando ‘risco à sua integridade física’, a defesa do ex-governador Sergio Cabral (MDB), transferido na quarta-feira, 11, para o presídio Bangu 8, vindo de Curitiba por decisão do Supremo Tribunal Federal, pediu que ele seja levado de volta para a Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, onde estava antes. Cabral foi preso em novembro de 2016, acusado de corrupção e outros crimes.

A Justiça do Rio ainda vai decidir onde ele ficará. A transferência de Cabral para o Complexo Médico Penitenciário de Pinhais, onde ficou na ala para presos da Lava Jato, havia sido por conta de regalias encontradas, como sala de TV e comidas especiais, como camarão e queijos. Ele ficou 83 dias em Curitiba. A Segunda Turma do STF determinou o retorno dele ao Rio na terça-feira, 10, atendendo a uma solicitação da defesa.

“No cárcere de Bangu, o apenado, decerto, terá a sua integridade física exposta à retaliação de detentos milicianos e ex-policiais que ajudou a punir durante o seu mandato, como aconteceu na primeira vez em que esteve internado naquele xadrez”, pontua a defesa.

“Aliás, foi justamente o risco à sua integridade que fez com que a Secretaria de Administração Penitenciária, à época, realocasse o apenado de Bangu para a Cadeia de Benfica, reprise-se, reerguida com exclusivo fim de abrigar detentos da mesma condição processual do requerente”, continua, apontando que a permanência dele em Bangu é “um contrassenso”.

O texto dos advogados argumenta ainda que “se esperava que o apenado fosse devolvido ao presídio de origem, no Rio de Janeiro, já que se cuida de um estabelecimento carcerário adredemente preparado – e, por isto, vocacionado – para receber os presos provisórios oriundos da chamada ‘Operação Lava Jato’”, diz também.

Cabral já foi condenado a mais de 80 anos de prisão e responde a outros processos. Ao ex-governador é atribuída a liderança de um esquema bilionário de corrupção que vigorou entre 2007 e 2014, período de seus dois mandatos. Os desvios se estenderiam a áreas como obras, transporte, saúde, entre outras.

Nesta sexta-feira, foi publicada no Diário Oficial do Estado nova regulamentação para a entrada de alimentos no sistema prisional. São itens que podem ser levados por visitantes aos internos. Entre eles, pão com linguiça, cachorro-quente e bolo caseiro sem recheio, que podem ser consumidos nas áreas comuns ou nas celas. Está proibido o ingresso na cela de qualquer item importado. O secretário de Administração Penitenciário, David Anthony Alves, disse que neste caso a medida foi para evitar que esses produtos virem “moedas de troca dentro da unidade prisional”.

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